1964, 50 anos depois

1964 generalEm História, nem todos os aniversários de datas históricas devem ser comemorados, mas os acontecimentos históricos marcados por ameaças a liberdade e a democracia, entre outros aspectos, devem ser lembrados para que não se repitam. O desconhecimento da História de seu país forma, no mínimo, um universo de ignorantes políticos. O mais grave é quando esse ignorantes políticos, usando os meios de comunicação existentes, procuram construir uma verdade histórica de não existiu. Um bom exemplo dessa ignorância política é alardear que no tempo da ditadura militar não existia corrupção no Brasil. Neste mês de março o golpe civil militar de 1964 completa 50 anos. Sobre o evento muito se tem dito e escrito. Nessa linha, gostaria de indicar três autores que lançaram importantes livros sobre o período militar.

O primeiro autor é o jornalista Elio Gaspari. Na verdade, Elio Gaspari está relançando sua monumental obra sobre o período militar. Lançados entre 2002 e 2004, os quatro livros do jornalista Elio Gaspari que retratavam a ditadura “envergonhada”, “escancarada”, “derrotada” e “encurralada”. Dez anos depois de lançados ganham edições atualizadas e versões digitais com áudios, vídeos e novos documentos, que lançam luz sobre arquivos de Golbery e Geisel. Para ver o arquivo digital, basta acessar o link http://www.arquivosdaditadura.com.br/

O outro autor é o historiador Marcos Napolitano. Seu livro 1964 História do Regime Militar Brasileiro, faz uma série de  análises políticas, econômicas, sociais e culturais do período, englobando música, cinema e teatro.

A terceira indicação é o livro do historiador Carlos Fico. Elaborada dentro da Coleção FGV de Bolso, 1964 Momentos decisivos, a obra relata ao leitor alguns antecedentes do golpe de 1964, da inesperada chegada de Goulart ao poder e da crise política que antece­deu sua derrubada. O autor também aborda o golpe em si e os momentos dramáticos vividos pelo Brasil no final de março e início de abril daquele ano e ainda demonstra como o “gol­pe” virou “ditadura”, isto é, como o evento de março de 1964 tornou-se o inaugurador do mais longo regime autoritário do Brasil republicano.

Boas Leituras

Roberto Nasser

CRIMEIA uma História já conhecida

Iron-Maiden-The-trooper

“Half a league, half a league,

Half a league onward,

All in the valley of Death

Rode the six hundred.

‘Forward the Light Brigade!

Charge for the guns!’ he said:

Into the valley of Death

Rode the six hundred.”

A Guerra da Crimeia, de 1853 a 1856, foi um desastre para todas as partes envolvidas, tendo causado mais de 300 mil mortes –80 mil em combate, 40 mil por ferimentos e mais de 100 mil por doença. O Exército britânico, por exemplo, perdeu 2.755 homens em ação, 2.019 por ferimentos e mais de 16 mil por doença. Além das velhas questões geopolíticas envolvendo o Império Russo, a França , a Inglaterra, o Império turco e a Sardenha, a guerra passou para história também pela presença de Florence Nightingale, enfermeira britânica, pioneira na ajuda aos feridos de guerra e pelo fato de ter sido a primeira guerra ampalmente fotografada. A Crimeia foi motivo para um importante poema da literatura inglesa, “The Charge of the Light Brigade”, de Alfred Lord Tennyson, inclusive inspirando um filme do estúdio Warner e a música, The Trooper, do grupo musical Iron Maider, que abre esse artigo.

Hoje quando se debate a questão da Ucrânia, a região da Crimeia retornou ao cenário mundial. Para saber mais sobre importante acontecimento da história contemporânea acesse o link abaixo. Nele o historiador inglês KENNETH MAXWELL, num artigo para o jornal Folha de São Paulo, retrata, de forma sintética, mas precisa o que foi a Guerra da Crimeia.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/155084-crimeia.shtml

Roberto Nasser

 

O Estado precisa ler Locke

John LockeCena 1. Na cidade do Rio de Janeiro, populares detiveram um suposto assaltante, o agrediram e o deixaram nu e preso com uma trava de bicicleta a um poste .

Cena 2. A jornalista Rachel Sheherazade, âncora do “SBT Brasil”, em pleno programa, posicionou-se a favor dos jovens responsáveis pela cena 1. Incomodada com as críticas, a jornalista respondeu que: ”era contra a violência. Que defendia as pessoas de bem do Brasil, pois foram abandonadas à própria sorte, porque não há polícia.

Cena 3. Imagens gravadas com um celular e divulgadas pelo jornal “Extra” mostram um jovem sendo assassinado diante de testemunhas, em plena luz do dia, numa via movimentada em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, no Rio.

Cena 4. Grupos de extermínio crescem no Brasil todo.

Cena 5. Nas redes sociais, aumenta o nº de pessoas que defendem o uso da violência contra a violência existente.

Cena 6. Em São Paulo, um motociclista,  ao assistir a um assalto contra outro motociclista, saca de uma arma e acerta o assaltante.

Cena 6. Diversas manifestações de rua ocorrem em várias partes do Brasil, gerando violência contra pessoas e destruição de propriedades, mas ninguém é preso.

Cena 7. O centro de treinamento do Corinthians é invadido por aproximadamente 100 pessoas (torcedores?), os funcionários e jogadores são fisicamente ameaçados e objetos de valor são roubados. Apesar da presença de tropa policial no local, ninguém foi preso. Cenas 8,9, 10,11,………………………

Em razão das cenas acima o  Estado deveria ler Locke. Por que? John Locke (1632-1704) era um contratualista, ou seja, pregava o surgimento do Estado a partir de um contrato no qual todos homens consentiram na sobreposição de um poder estatal através do qual a ordem e a paz entre si passou a ser mantida e garantida pelo referido poder. Em sua obra o Segundo Tratado sobre o Governo Civil, Locke defendeu a necessidade de um poder independente para ser o juiz dos homens, nascendo assim o Estado – o único que deve legalmente fazer uso da força: exército ou polícia. No terceiro capítulo, Do Estado de Guerra, John Locke escreve: o Estado de Guerra “é quando uma sociedade é inimiga de outra, e quanto esta pretende tirar sua vida o bem mais precioso de uma sociedade, por isso esta deve tentar defender-se de  qualquer forma, isso porque não existe uma justiça que defenda esse direito, por isso que vai existir o estado de guerra”. E qual seria a forma de acabar com o Estado de Guerra? No sétimo capítulo, Sociedade Política ou Civil , Locke escreve:” E aqueles que entram em uma sociedade civil também estão aceitando as leis que são construídas em conjunto entre os mesmos e também as suas sanções tudo para proteger a propriedade privada de cada um. A partir do exposto, fica claro que: se o Estado não cumprir as funções para as quais o povo lhe deu seu consentimento, é enorme o risco de se voltar ao Estado de Guerra, pois o Estado perde a sua função de garantidor da vida, liberdade e propriedade. As cenas relatadas acima  não desenham um Estado de Guerra? É fundamental que o Estado cumpra seu papel a ele designado pelo povo. Para que o contrato social seja efetivado e a vida na esfera pública seja vivida com  segurança, seria importante que o Estado lesse Locke.

 

Ruanda, vinte anos depois.

Ruanda IIO Jornal da USP, na edição de 05 de fevereiro, relembra o massacre ocorrido em Ruanda, a partir do lançamento do livro, O País das Mil Colinas. “Em 2014 completam-se duas décadas dos assassinatos em massa cometidos em Ruanda – um genocídio que não precisou de mais do que três meses para deixar 1 milhão de mortos. O livro O País das Mil Colinas, da jornalista Andréia Terzariol Couto, retrata o extermínio a partir de pesquisa bibliográfica e dos relatos de sobreviventes.
Pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Popular e Alternativo (Alterjor) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Andréia conta que fez duas viagens ao país e mais de 40 entrevistas para escrever o livro. “Sempre me interessei pelo tema e, em 2002, comecei minha pesquisa na Biblioteca de Estudos da Linguagem da Unicamp. Dois anos depois, já tinha esgotado todo o material disponível. Comecei, então, a tentar contatos em Ruanda”, diz.
O livro é uma colcha de retalhos que resgata fatos da história, junto a relatos do que a autora ouviu sobre o massacre e à sua percepção de como está a vida no país depois da tragédia. “O genocídio tem raízes no século 19, na época da colonização, e por isso é importante retratar o que acontecia antes da chegada do colonizador”, disse.”

Para saber mais, acesse

http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=33811

Roberto Nasser

O Chefe de Faustino

Por Giovana Fabbri, 3H1

“Após horas e horas de conversa e histórias contadas pelo meu avô Sideneo Walter Torres Rios cheguei a seguinte conclusão: o comunista e militar Luís Carlos Prestes foi praticamente o chefe de meu bisavô (pai de meu avô).

Por volta dos anos 1945, época em que o Brasil era governado por Getúlio Vargas, meu bisavô Faustino Torres Antão, que sempre ansiou trabalhar na política, recebeu um convite para abrir e ser o responsável pelo Partido Comunista em São Caetano do Sul. Por simpatizar com as propostas e com a ideologia do partido, resolveu aceitar. A cada quinzena, Luís Carlos Prestes e os partidários se reuniam em São Caetano e Santo André e muitas das vezes, devido ao horário de funcionamento do trem, Prestes se acomodava na casa de meu bisavô. Juntos, participaram de inúmeros protestos contra o governo de Getúlio Vargas, porém meu bisavô preferia protestar de maneira pacífica levando até a própria família “fui a inúmeros protestos no colo de meu pai, naquela época a polícia era bem mais violenta que hoje em dia”, afirma meu avô.

Devido à intensa convivência, cresceu a amizade e a simpatia do comunista com Faustino, fato que infelizmente foi se esfalecendo com o tempo, em decorrência à prisão de Prestes.
Nessa época, o partido ainda era considerado legal, porém, em 1947, após a decretação de sua ilegalidade pelo governo Dutra, Prestes e o Partido Comunista passaram a sofrer intensa repressão, inclusive aquele comitê que estava sob responsabilidade de meu bisavô. Assim como diz meu avô “Vários partidários sumiram, inclusive amigos do meu pai… Até hoje ninguém sabe de nada, meu pai só não morreu, pois foi preso com Prestes”. Devido às invasões nos comitês, inúmeras fichas dos partidários forem pegas pela polícia, e como nela havia o endereço, meu bisavô foi preso e muitos sumiram. Por sorte, por ser muito próximo de Prestes, além de se refugiarem muitas vezes juntos, ele foi preso junto a este, inclusive na mesma cela.

Durante a repressão, os policiais estavam atrás de provas para incriminar quem era partidário do PC. Minha bisavó foi obrigada a queimar ou esconder (até dentro de latas de arroz) todo e qualquer documento que fosse uma ameaça à liberdade de meu bisavô, inclusive fotos e lembranças de Prestes com ele.

Depois de muita luta por parte de minha bisavó, Faustino foi solto após praticamente seis meses. Com sua soltura, meu bisavô nunca mais se encontrou com Prestes, este que permaneceu preso por mais tempo. Além disso, Faustino resolveu sair do Partido Comunista e passou a trabalhar em uma indústria química chamada Usina Columbina. Porém, como sempre gostou de se relacionar a assuntos da sociedade, entrou para o Sindicato dos Químicos em Santo André. Nesse entre meio, aconteceu um incidente, que foi o fator determinante para o “fim de sua vida”.

Num sábado à tarde no ano de 1952, avisaram Faustino, que era o encarregado da produção de produtos químicos, que a Usina Columbina havia pegado fogo. Infelizmente, coincidentemente, no mesmo dia, os comunistas atearam fogo no Porto de Santos. Os policiais, muito repressores na época, relacionaram – mesmo sem provas alguma – um acontecimento ao outro, e por Faustino ter uma ficha comunista e passagem pela polícia, foi preso novamente e sumiu. Minha bisavó, desesperada, após alguns meses, recorreu ao secretário da segurança pública Dr. Leite de Barros com um advogado, e com muita insistência, conseguiu que meu bisavô fosse liberado e comprovado que tudo se passou por um incidente.

Porém, essa segunda prisão afetou negativamente a vida de Faustino, “Isso acabou com a vida dele. Virou alcoólatra e passou a ser motorista em S.C.Sul. Todo sonho que ele tinha tanto em relação à politica, à sociedade como de sua vida foi jogado por água abaixo. Mal me lembro de meu pai feliz”, comenta meu avô.”

Dia do Saci

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Reconhecendo a necessidade de reafirmar a importância do folclore brasileiro e de seus personagens em uma sociedade que cada vez mais se esquece de suas raízes, comemora-se hoje o Dia do Saci, em homenagem à famosa lenda do menino de um pé só.

“O Saci representa uma lenda que se insere em um universo cultural presente apenas em algumas cidades. Essa comemoração é uma forma de resgatar e valorizar o folclore brasileiro”, explica a professora Ana Cintia Albuquerque.

 

 

Fonte: Folclore Brasileiro Ilustrado: Lenda do Saci Pererê

Durante a escravidão as amas-secas e os caboclo-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.

É uma criança, um negrinho de uma perna só que usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho, O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem. Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc.

Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós em seu caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja.

Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.

O Saci tem uma perna e anda pelos campos aprontando das suas, mas não é do mal, ele só quer aparecer, por isso amarra a crina dos cavalos e enche de sal nas comidas.

 

“Deixe as gordas em paz…” – um texto sobre respeito.

Por Amanda Sadalla, 3H2.

Hoje quando cheguei em casa abri o Facebook e vi que muitas pessoas estavam compartilhando um texto.. Fui checar o que era, um texto sobre “ deixe as gordas em paz” e gostei, gostei muito. Como intrometida, falante e hiperativa que sou, não me contive para me manifestar sobre o assunto. “Gordo e Magro.” Tenho imensa curiosidade para descobrir quem é o autor ou os autores destes termos ( e dar-lhes alguns tabefes..). Procurei no dicionário: Gordo: Que tem muita gordura. 2 Semelhante à gordura. 3 Que tem muita matéria sebácea. Magro: 1.Que tem falta de tecido adiposo, que tem poucas carnes, em que há pouca ou nenhuma gordura ou sebo. Percebem? O que nasceu como somente adjetivos para caracterizar a presença ou não de gordura no corpo, transformou-se, foram “adjetivados” pela sociedade. O gordo, torna-se sinônimo de feio, preguiçoso, algo negativo e o magro: o belo, o saudável, o admirável, o necessário.

O tal texto que li hoje foca nas mulheres. Pois bem, sou mulher, com 17 anos pode ter certeza que o magro e gordo estão ali todos os dias convivendo comigo. Não, não digo uma pessoa magra e outra gorda, digo o “Amanda.. Amanda.. está roupa está marcando aquela gordurinha ai do lado.. Amanda Amanda.. e essa celulite? Acho que você emagreceu um pouquinho…”viixi”, engordou de novo! Amanda.. e esse inchaço ? É a TPM né ? Amanda.. Amanda.. você vai ter mesmo coragem de mostrar a barriguinha ? hm…” Pois é, essa voz, sou eu mesma. Essa voz, é você mesma. Nós a criamos, nós a mantemos em nossa cabeça, nós lutamos contra ela.. E por que ela não vai embora?

O que me tira do sério é não conseguir compreender porque a magreza associa-se à beleza. Ok, concordo que seja muito mais saudável se manter em forma do que ter aqueles 10 kilos a mais. E não, não digo pela beleza ou feiura da barriguinha ai na frente, ou aquela gordura de lado, digo pelo Colesterol alto, pela Diabetes e tantos outros problemas. Também concordo que a obesidade seja um grande male do nosso século, crianças com menos de 6 anos obesas é algo alarmante. Mas aqui não quero falar sobre os extremos do sobrepeso ou da magreza, da saúde e da nutrição, a questão é o psicológico, o social, esta neurose pela magreza que nós mulheres temos.

Pra ser sincera, não posso e não tenho como falar de forma neutra sobre o assunto. Minha experiência nessa área de gordura, beleza e neurose com certeza não é das melhores. A bulimia já me atingiu, como tantas outras meninas. Acho curioso ouvir algumas pessoas conversando sobre este distúrbio. “Ela vomita porque se acha gorda, pra emagrecer”. Pois é, o que essas pessoas não sabem é que “ela” não vomita simplesmente por “se achar gorda”, ela se vê gorda. E não, ela não enxerga no espelho uma barriga gigantesca, ou uma perna exageradamente inchada, ela se enxerga como é, como sempre se viu, mas crê com toda a certeza do mundo que aquilo que vê é negativo, é insatisfatório.

Uma vez me perguntaram “ Mas o que você vê no espelho ? É outra imagem ? “ – O que mais veria no espelho se não eu mesma ? Me vejo, e não gosto do que vejo. Sim, tem horas que gosto, tem horas que não gosto, e tem momentos em que detesto.

A grande questão em torno da Bulimia, da Anorexia, e de tantos outros distúrbios alimentares que atormentam pessoas diariamente é a necessidade que temos em nossa sociedade de agradar o outro. Passei a vomitar como um escape, como a forma que encontrei de colocar para fora a insatisfação comigo mesma, o pensamento é “ eu estar gorda faz os outros estarem insatisfeitos comigo, eu estar gorda ocupa um espaço ruim na vida das pessoas. ” Hoje, sei que o maior passo que dei, e que tenho que dar todos os dias é entender que, meu peso e minha aparência não tem significado algum na vida daqueles que vivem ao meu redor.

Sabem aqueles típicos desenhos americanos que costumávamos assistir quando éramos pequenos, ou aquelas novelas Rebeldes, Chiquititas.. Lembram-se da tal “gordinha”? Aquela que se enchia de balas, que os meninos não gostavam, que as meninas excluíam.. É, pode parecer um pouco clichê, mas esta tal “ gordinha” está por ai em todos os lugares, todos dias. E não, ela não é mais chamada de “ gordinha” por ter mais massa corporal que os outros, este apelido tornou-se sinônimo daquela que por possuir uma mísera diferença, torna-se excluída, julgada e mal falada.

Agora, já pensaram quantas vezes na vida uma pessoa vai emagrecer, engordar, emagrecer, engordar? Esta “gordinha” de 6, 7 anos, justamente por ser tão pequena ainda não tem a maturidade de compreender que o corpo muda, que a aparência muda, ela absorve a imagem de “ gorda, de não ser boa o suficiente para fazer parte do grupo” como uma identidade e imagem eternas. E mesmo que depois cresça, emagreça, esta imagem a compõem e fará parte de sua identidade por muito tempo.

Por isso, a Bulimia, é muito mais profunda que o desejo de emagrecer, é a necessidade de tirar por alguns instantes esta imagem ruim que temos de nós mesmas e que carregamos conosco sempre. O exemplo da “ gordinha” é só um em meio a tantos outros. A insatisfação com a aparência nasce de mil outros lugares, situações e fatores.

Uma pessoa não precisa necessariamente ter sido gorda ou ser gorda, para sentir-se como tal. E isso ocorre justamente pelo o que disse anteriormente, o sentimento de “ser gordo” para muitos, não é o sobrepeso, é a ideia de não estar bom o suficiente. Insatisfação esta que relaciona-se com tantas outras coisas, e vai entender porque bulhufas ( esta já uma missão para psicólogos) invade nosso cérebro, nossa mente e nosso coração bem nessa área do “físico”. O que quero dizer, para me fazer mais clara, é que até mesmo alguém que não consiga seu empego dos sonhos, tenha um certo azar no trabalho, pode associar tal insatisfação com sua imagem. É como um anzol em uma vara de pesca, ele chega, da uma beliscada ali na imagem que vemos no espelho, e “puuum”, dói.

Meu objetivo com este texto não é dar um relato de vida, muito menos discutir a minha experiência (apesar de saber que o relato de alguém que superou este triste male ajude aqueles que o vivem). Mas sim, quero mostrar o quanto aquele “olha a gordinha passando”, machuca, humilha. Pais e mães, avós e professores não devem ter dó de crianças gordas, são gordas sim, são crianças, e pronto, deixe-as. (Digo, a saúde deve sempre prevalecer, mas não as maltrate, não as julgue por isso, muito menos as trate de forma diferente dos outros). As crianças têm uma sensibilidade incrível e a infância marca, marca profundamente. Por isso talvez, tratar de males da infância seja um desafio tão complexo e difícil. E por fim, “deixe as gordas em paz”. Será que um dia, nos livraremos deste estereótipo ridículo de gordo como algo ruim ?

Grandes Portas

Por Luca Gonçalves, 3H2.

“Sai um senhor que,
interessantemente, se traja e se porta como idoso,
de uma grandíssima porta enfiada
e esmagada entre sujíssimas construções que são,
para alguns, lares, mas,
para mim, mais um grande retrato da tristeza do capitalismo objetivista.
A luta pela sobrevivência da cidade se estende para as paredes do casebre – plantas, cabos, fios, grafites – não saberia afirmar sem a assistência de Darwin quais ganhariam
mas, sei apontar que o homem travava alguma atividade
entre as ferrugens que engoliam seu portão
(que semelhante ao dono, se portava como idoso, grunhindo e sendo feio).
O que faz agora este velho estagnado entre o primeiro e segundo passo de volta? Será que ele se esquece do tempo, ou se lembra que já viveu?
Viveu, por um tempo, sem o tempo, sem o fim ou o meio, só viveu.
Agora, ele, sistematicamente, voltava para a fechadura,
que consertava há segundos,
(me respondendo o que laborava de tanta importância
para o quebrar de sua rotina diária).
Consertou a dita cuja, e resmungou pelo desconforto de sair para a imundez e poluição que somos expostos nas ruas.
Abriu a porta (e como era grandíssima!)
e descontou a raiva na escada e nos degraus que subia (acho que também na porta do quarto).
Pela janela viam-se as orelhas do homem sustentando seus óculos que brilhavam e piscavam um azul, amarelo, agora preto e presumia-se que vinha da TV.
Presumia-se que os olhos se comprimiam.
Que as imagens se sucediam numa ordem que era quase perfeitamente igualável à sujeira das ruas. E, eu presumia tudo o que aconteceu. E a sociedade segue… observa… presume (entre sujeiras, prédios e, ora sim ora não, entre grandíssimas portas) vivendo a economia na morte da história e no aborto de classes literárias.”

Como marionetes

Por Letícia Evaristo, 3B1.

“Como controlar uma multidão? Como manipular tantas pessoas ao mesmo tempo, e fazê-las apoiarem a realização de certos interesses? Essa pergunta já permeou a mente de muitos, desde chefes de empresas e líderes de grupos de trabalhos escolares até governantes políticos. É pela análise desses últimos, líderes políticos, e de suas respostas à questão que se pode destacar três meios de controle de sociedades utilizados ao longo da História, principalmente em regimes totalitários: o medo, a mídia e a educação.

Já dizia Hobbes, em sua teoria contratualista sobre a política, que a sociedade abre mão de sua liberdade em troca da proteção que o Estado oferece. Quando uma ameaça se instaura, o povo aplaude o Estado no combate a ela. Diante disso, para ganhar amplo apoio, um governante pode criar ou potencializar uma ameaça social. É o caso do comunismo, uma ameaça potencializada por Vargas e pelo governo norte americano, no século XX, com a intenção de aumentar o respaldo popular aos respectivos governos. No primeiro caso, Vargas intensificou o medo da população criando secretamente o Plano Cohen, que alegava, falsamente, um plano de ataque comunista, e que deu ao governante justificativa para estabelecer um Estado autoritário. No caso norte americano, McCarthy potencializou o medo dos comunistas para que, por meio da sua política de combate ao “perigo vermelho”, ganhasse o respaldo da população.

A mídia, assim como a intensificação do medo, é um recurso muito utilizado pelos líderes totalitários para manipular a sociedade. Ao construir e divulgar uma imagem positiva do governo e de suas políticas, a mídia influencia a visão que a sociedade tem do Estado e garante seu sustento. Tanto a ditadura militar no Brasil quanto o facismo na Itália valeram-se dessa ferramenta. Por meio da censura à imprensa e controle dos jornais, rádio e TV, os militares mostravam a eficiência do seu governo. Mussolini, por sua vez, era cultuado pelos italianos, que o chamavam de “Dulce” e se submetiam às suas decisões.

Por meio do medo e da mídia, vê-se que é possível controlar as massas e garantir apoio. Mas como prolongar esse resultado? A educação oferece o “controle do futuro”, das gerações mais novas. Ditando o conteúdo que as escolas e universidades ensinarão, governantes conseguem o respaldo dos jovens não só divulgando uma imagem positiva do Estado, mas também construindo a mentalidade dos futuros adultos. É o caso da nazificação da educação, que incumbiu às escolas de difundirem valores racistas, e da educação maoísta que, após a Revolução Socialista da China de 1949, formou jovens adoradores de Mao Tsé-tung e defensores de seus interesses.

O medo, a mídia e a educação são, portanto, meios de controle da sociedade que foram usados ao longo da História por diferentes líderes políticos totalitários, como Vargas, Mussolini e Hitler, por exemplo. Ainda hoje, existem governantes que desejam levar a população a contribuir para o alcance de seus interesses. Considerando que os três meios permanecem ainda “disponíveis” na sociedade, deve-se estar atento ao uso que os governantes fazem deles, verificando se as informações divulgadas pela educação e pela mídia, principalmente, são verdadeiras e imparciais, a fim de que as massas não sejam cegamente manipuladas e, como marionetes, usadas para satisfazer as vontades de um líder.”

“Do The Birds Still Sing in Hell?” A História de um Homem que Nunca Deixou de Amar.

Por Isabela Albertini Yagi, 3B3.

“Nascido em dezembro de 1918 na Inglaterra, Horace Greasley trabalhava como barbeiro na pequena cidade onde nascera quando a Alemanha invadiu a Tchecoslováquia. Então com vinte anos de idade, ele decidiu abandonar seu emprego e servir seu país como soldado, mesmo tendo a possibilidade de ser dispensado se entrasse para o corpo de bombeiros local.

Após sete semanas de treinamento, Horace foi mandado para a França, onde ele e seu batalhão foram logo capturados, no dia 25 de maio de 1940. Os prisioneiros foram forçados a andar por dez semanas, da França à Bélgica, e a fazer uma viagem de trem, na qual vários morreram de disenteria, devido à precariedade da higiene. Ao chegar à Polônia, ele foi mandado para um antigo celeiro usado na primeira guerra mundial, onde os prisioneiros sofriam com o frio intenso, a falta de comida e constantes torturas. O próprio Horace chegou a ficar muito perto da morte após ter sido espancado por soldados.

O romance com Rosa Rauchbach começou no segundo campo de prisão de militares em que ficou preso, na Silésia, no norte da Alemanha, onde era mantido sob condições melhores do que na Polônia. Ela, então com 17 anos, era filha do diretor de uma mina de mármore anexa ao campo, e trabalhava como intérprete. A atração entre os dois jovens foi imediata, e estes logo começaram a se encontrar em oficinas, dormitórios ou qualquer lugar onde não seriam vistos.

Nem a transferência de Horace para um outro campo de militares a 65 quilômetros de distância impediu o namoro, que contou com a ajuda de várias pessoas para continuar. Eles passaram a se comunicar por bilhetes, que eram entregues por homens que iam cortar o cabelo com Horace. Dessa forma, Rosa conseguia avisar quando era enviada para trabalhar em locais próximos. Havia poucos soldados guardando as saídas, já que o país neutro mais próximo era a Suécia, 680 quilômetros ao norte, o que tornava tentativas de fuga inúteis. Mas não para Horace, que escapou mais de 200 vezes, escondendo-se entre outros homens que iam trabalhar fora do campo, ou à noite, pela janela de seu quarto, cujas barras, ele descobriu, podiam ser retiradas. Nos encontros, que aconteciam numa floresta próxima, Rosa trazia comida, que era depois dividida com os demais presos, e até peças que permitiram que Horace montasse um rádio, pelo qual ele e seus companheiros ouviam à BBC e assim, se mantinham informados sobre a guerra.

Na véspera de completar cinco anos sob captura, no dia 24 de maio de 1945, os soldados alemães fugiram, e o campo de Horace foi encontrado pelos russos. Já de volta à sua cidade, o casal chegou a trocar algumas cartas, mas poucos meses depois, ele parou de receber notícias. Passado um ano, Horace recebeu uma carta de uma amiga de Rosa dizendo que ela morerra num parto, em dezembro de 1945, junto com a criança.

Horace Greasley morreu aos 91 anos na Espanha, onde morava com a segunda mulher, deixando dois filhos e sua história de superação e esperança, contada por ele num livro que foi escrito com a ajuda do autor Ken Scott, intitulado “Do the Birds Still Sing in Hell?”. Neste, ele narra sua decisão de se alistar, o sofrimento durante a guerra, o choque da notícia da morte de Rosa e os anos que se seguiram.”