As condições de vida do escravo alforriado

Escravos Libertos IINas aulas sobre abolicionismo é comum os alunos perguntarem sobre a vida do escravo alforriado. À esse respeito, o Jornal da USP, de março de 2013, traz um síntese de uma dissertação de mestrado sobre o tema. “No século 19, entre os anos 1830 e 1888, os escravos compravam o direito à liberdade com o próprio trabalho, o que tornava precária a entrada de negros no mundo dos homens livres, e fazia perdurar o domínio senhorial. Sem recursos para pagar aos senhores a indenização exigida para a liberdade, os escravos contraíam dívidas com terceiros, e os pagavam por intermédio de contratos de locação de serviço. Esses contratos significavam, em muitos casos, um prolongamento da exploração do trabalho, uma vez que os libertos ainda eram submetidos a condições similares à escravidão“. Para saber mais, siga o link http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=28048

Roberto Nasser

 

 

D.Pedro I e a Família Imperial na era digital

D.PEDRO IO jornal O Estado de S.Paulo publicou na edição do dia 19 de fevereiro de 2013 uma excelente matéria sobre o trabalho realizado pela historiadora e arqueóloga, Valdirene do Carmo Ambiel. Com uma visão multidisciplinar( Faculdade de Medicina da USP, História, Ciências e Tecnologia) os pesquisadores investigaram, em sigilo, de fevereiro a novembro de 2012, os restos mortais de D.Pedro I, Dona Leopoldina (1ªImperatriz do Brasil) e Dona Amélia (2ªImperatriz do Brasil), enterrados no Parque da Independência(jardins do museu do Ipiranga), na zona sul da capital, desde 1972. O trabalho revelou fatos desconhecidos sobre a família imperial brasileira, agora comprovados pela ciência, compondo um retrato jamais visto dos personagens históricos.

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BENTO XVI, o breve

Bento XVI

“Queridísimos irmãos,

Convoquei-os a este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.

(…) Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice (…).

Vaticano, 10 de fevereiro 2013.”

Com essa palavras proferidas em Latim, idioma oficial do Vaticano, o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia ao trono de São Pedro. O último Papa a fazê-lo foi Gregório XII, em 1415. Quais as razões para tal decisão? Por ora, as respostas estão no campo da especulação. Idade avançada e saúde debilitada? Bento 16 tem 85 anos e sofre de artrite, especialmente nos joelhos, quadris e tornozelo. Porém, os especialistas em questões da Igreja católica levantam outros possibilidades, tais como, em março do ano passado o jornal “L’Osservatore Romano”, havia escrito que o Papa era “um pastor cercado de lobos”. O que significa tal expressão? “Será que há relação com o desgosto de ver violada sua intimidade pelo mordomo; os vazamentos para a imprensa de papeis pessoais e o dissenso interno entre altos responsáveis da Igreja e as questões de pedofilia envolvendo membros da Igreja de diversas hierarquias? Não há atualmente respostas para essas questões.

Joseph Aloisius  Ratzinger, 85 anos, foi eleito Papa em 2005, aos 78 anos. Seu pontificado durou sete anos, dez meses e dez dias. Hoje, é lembrado por sua enorme capacidade intelectual(teólogo brilhante), mas também por ter feito um pontificado conservador.

Roberto Nasser

Oscar Niemeyer, as retas estão curvas

O maior arquiteto brasileiro está morto. As retas em sua homenagem estão curvas. O concreto em curva e a inventividade das formas marcam o modernismo de Niemeyer valendo-se da melhor técnica construtiva para fincar no solo o seu legado. E o legado de seu tempo.

Frases de Niemeyer

Eu não tinha muito apreço pelo ângulo reto, que Le Corbusier defendia. Achava que a arquitetura feita em concreto podia ser diferente.
Quando o espaço é maior, e o vão é grande, o concreto armado sugere a curva. De modo que a curva não é coisa imposta pelo homem. É algo que surge naturalmente

“Para atingir o nível de obra de arte, ela [a arquitetura] tem de primeiro ser diferente e depois ser uma coisa que cria espanto, cria beleza. A arquitetura que eu faço é a que não aceita regras. Eu procuro fazer lógica, funcional e tudo, mas criando, partindo de um desenho, uma ideia”

Roberto Nasser

 

ONU aceita a Palestina como Estado Observador

Ontem, dia 29 de novembro de 2012 a Organização das Nações Unidas, ONU, concedeu à Palestina o status de Estado observador. Resolução teve 138 países favoráveis, incluindo o Brasil, e 9 contrários, como EUA e Israel. Para os governantes israelenses, a decisão desconsidera a segurança do Estado judaico e não contribui para o processo de paz. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou, após a decisão, que a resolução não significa que a organização não se preocupa com a segurança de Israel. Já o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que “Chegou o momento para o mundo dizer claramente: basta de agressão, de assentamentos, de ocupação”. Para diplomatas europeus ouvidos por jornalistas da Folha de S. Paulo, além de reforçar o status da Palestina, a decisão de ontem altera uma pendência que sobrevive desde 1947. Quando a partilha foi feita, previa-se a criação de dois Estados, um judaico e um palestino. Israel foi criado, mas o Estado palestino, não. Os países dentro da ONU possuem três níveis de status. O primeiro é o de Estado-Membro. Como tal, o país tem direito a voto na Assembleia geral. Para tornar-se membro, é preciso uma recomendação do Conselho de Segurança e votação na Assembleia Geral. O segundo é de Estado Observador. É a posição da Palestina agora na ONU. Participa das sessões, mas não tem direito a voto. Porém como Estado Observador a Palestina pode acionar o Tribunal Penal Internacional. O terceiro status é o de Entidade Observadora. Esta era aposição que a Palestina tinha até ontem. Podia participar das sessões, mas não tinha direito a voto e também não era considerada um “Estado” pela ONU.

Fonte: Folha de S. Paulo 30/11/12

Eric Hobsbawm

Ao entrar para dar aula na 3H3 fui surpreendido com um comunicado do meu aluno Ulysses. Professor, Hobsbawm morreu! O que me surpreendeu não foi a notícia da morte em si, pois sabia que há um bom tempo o Historiador Eric Hobsbawm padecia num leito hospitalar, mas sim, um jovem de 17 anos se interessar em dar uma notícia como esta. Hobsbawm além de Historiador, que não é pouca coisa, foi um dos mais importantes pensadores do século XX. Eric Hobsbawm colocou-se por suas obras e por suas ações no mesmo patamar dos grandes pensadores da humanidade. Exemplo da amplitude de suas análises, Hobsbawm em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, relacionou futebol com globalização.

FOLHA – No ensaio “Nations and Nationalism in the New Century” (nações e nacionalismo no novo século), o Sr. lamenta o fato de que as seleções de futebol nacionais estejam perdendo força para os chamados superclubes internacionais. O Sr. não acha que o nível do esporte, por conta disso, tenha melhorado?
HOBSBAWM –
O futebol sintetiza muito bem a dialética entre identidade nacional, globalização e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante é o fato de que podemos ver países em competição. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globalização.
Os clubes querem ter os jogadores em tempo integral, mas também precisam que eles joguem por suas seleções para legitimá-los como heróis nacionais. Enquanto isso, clubes de países da África ou da América Latina vão virando centros de recrutamento e perdendo o encanto local de seus encontros, como acontece com os times do Brasil e da Argentina. É um paradoxo interessante para pensar sobre a globalização.
www.folha.com.br/072715.

Os livros de Hobsbawm abordam desde a História Social do Jazz até temas como Globalização, Democracia e Terrorismo. Os mais marcantes para mim foram A Era dos Extremos; A Era das Revoluções-1789 a 1848; A Era do Capital -1848 a 1875 e A Era dos Impérios – 1875 a 1914.

Na festa literária de Paraty (FLIP) de 2003, além de encantar todos os presentes com suas análises e sua impressionante humildade, Hobsbawm ao final de sua apresentação ainda contou a seguinte piada sobre o capitalismo. “três milionários estão sentados em um bar; depois de beber algumas cachaças, começam a se empolgar e cantam a música mais marcante de sua juventude: a Internacional Comunista.

 Roberto Nasser

 

 

Hiroxima e Nagasaki em São Paulo

Entre os dias 11 a 21 de setembro de 2012 será realizado no Instituto de Psicologia da USP, Av. Prof. Mello Moraes, nº1721, Cidade Universitária o evento “Hiroshima e Nagasaki em São Paulo:testemunho, inscrição e memória das catástrofes. O evento terá entrada gratuita e, por meio de 30 painéis, cedidos pelo Museu Memorial da Paz de Hirosmima, contará um pouco do que foi esse acontecimento histórico.

Prof. Roberto Nasser

Eternamente Elis

Houve uma época na música popular brasileira que para cantar, por incrível que pareça, era necessário ter voz. Era o tempo de Elis Regina. Intérprete impecável aliada a uma voz de fazer inveja a qualquer instrumento, Elis Regina reinou nos anos 60 e 70.

Na USP, uma pesquisa recente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) investigou a carreira da intérprete durante as décadas de 1960 e 70. Na dissertação de mestrado “Em busca do ‘Falso Brilhante’ – Performance e projeto autoral na trajetória de Elis Regina (Brasil, 1965 – 1976)”, a historiadora Rafaela Lunardi mostra como a artista mudou de perfil ao longo de sua carreira, transformando-se em símbolo do discurso ideológico ao final dos anos 70. Além disso, de acordo com a pesquisadora, Elis contribuiu para o estabelecimento do gênero MPB, a Música Popular Brasileira. “Nos anos 60, ela foi uma espécie de porta-estandarte da música brasileira, e posteriormente uniu o samba, o baião, a bossa nova e a marcha ao pop, ao rock e ao soul, passando por todas as fases e dialogando com as diversas demandas do mercado de música no Brasil”,

http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=20029

Para lembrar um pouco de Elis, ouçam

 

Malvinas 30

Há 30 anos, no dia 2 de abril de 1982, os argentinos invadiram as ilhas Malvinas ou Falklands para os ingleses. Esta ação foi a mais trágica na centenária disputa pela região. A guerra provocou o nacionalismo de ambos os países e, no caso argentino, após um período de entusiasmo, (100 mil pessoas saíram às ruas em Bueno Aires para apoiar o ato da ditadura militar) a derrota trouxe a realidade de volta à Argentina. O povo saiu às ruas gritando “Galtieri, borracho/mataste a los muchachos“. Do outro lado do Atlântico, o nacionalismo e a vitória garantiu a Margaret Thatcher a reeleição ao cargo de premiê britânico.

Passados 30 anos, os Kelpers (habitantes das ilhas) seguem sua vida e o modo britânico de ver a vida. A Argentina, esquecendo-se das lições da História, volta a reivindicar a posse das Malvinas com um populismo diplomático, por meio da presidenta Cristina Kirchner. Os ingleses, via declaração do premiê britânico, David Cameron, afirmaram que a Guerra das Malvinas foi um “ato de agressão” e que a ditadura argentina tentou “roubar a liberdade dos habitantes das ilhas”. Trinta anos depois, a História deste conflito vai aos poucos sendo revelada. Como o plano argentino de afundar navios ingleses na base de Gibraltar ou a preocupação brasileira (governo general Figueiredo) com uma aproximação soviética argentina e com uma possível ação militar britânica além das ilhas, ou seja, em continente sul americano. Como eu sempre digo, “a História é um prato que se saboreia frio”.

Para saber mais: http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/v/guerra-das-malvinas-completa-30-anos/1886149/

Roberto Nasser

Chico & Millor

Mesmo num país que se congratula pelo inabalável bom humor da população, não há como evitar o lugar-comum da “perda insubstituível” para comentar o desaparecimento, em curto intervalo de tempo, de dois de seus maiores artistas, Chico Anysio e Millôr Fernandes. O talento cênico de Chico Anysio o transformou num grande criador de personagens, capaz de fixar para a imensa maioria dos brasileiros as variedades de seus traços regionais, as mudanças de seus hábitos cotidianos e as fraquezas, nem tão mutáveis, de sua vida política.

O talento de Millôr Fernandes encaminhou-se para formas bem diferentes de expressão. Foi nas artes visuais, área em que demonstrou impressionante versatilidade, e na palavra escrita, no epigrama, na fábula, na poesia e na tradução, que Millôr soube transcender, rumo a altos níveis de estética e erudição literária, o âmbito do puro entretenimento, em que foi, não obstante, um mestre”.

Folha de S.Paulo.  Editorial.29/3/2012

Roberto Nasser