O Chefe de Faustino

Por Giovana Fabbri, 3H1

“Após horas e horas de conversa e histórias contadas pelo meu avô Sideneo Walter Torres Rios cheguei a seguinte conclusão: o comunista e militar Luís Carlos Prestes foi praticamente o chefe de meu bisavô (pai de meu avô).

Por volta dos anos 1945, época em que o Brasil era governado por Getúlio Vargas, meu bisavô Faustino Torres Antão, que sempre ansiou trabalhar na política, recebeu um convite para abrir e ser o responsável pelo Partido Comunista em São Caetano do Sul. Por simpatizar com as propostas e com a ideologia do partido, resolveu aceitar. A cada quinzena, Luís Carlos Prestes e os partidários se reuniam em São Caetano e Santo André e muitas das vezes, devido ao horário de funcionamento do trem, Prestes se acomodava na casa de meu bisavô. Juntos, participaram de inúmeros protestos contra o governo de Getúlio Vargas, porém meu bisavô preferia protestar de maneira pacífica levando até a própria família “fui a inúmeros protestos no colo de meu pai, naquela época a polícia era bem mais violenta que hoje em dia”, afirma meu avô.

Devido à intensa convivência, cresceu a amizade e a simpatia do comunista com Faustino, fato que infelizmente foi se esfalecendo com o tempo, em decorrência à prisão de Prestes.
Nessa época, o partido ainda era considerado legal, porém, em 1947, após a decretação de sua ilegalidade pelo governo Dutra, Prestes e o Partido Comunista passaram a sofrer intensa repressão, inclusive aquele comitê que estava sob responsabilidade de meu bisavô. Assim como diz meu avô “Vários partidários sumiram, inclusive amigos do meu pai… Até hoje ninguém sabe de nada, meu pai só não morreu, pois foi preso com Prestes”. Devido às invasões nos comitês, inúmeras fichas dos partidários forem pegas pela polícia, e como nela havia o endereço, meu bisavô foi preso e muitos sumiram. Por sorte, por ser muito próximo de Prestes, além de se refugiarem muitas vezes juntos, ele foi preso junto a este, inclusive na mesma cela.

Durante a repressão, os policiais estavam atrás de provas para incriminar quem era partidário do PC. Minha bisavó foi obrigada a queimar ou esconder (até dentro de latas de arroz) todo e qualquer documento que fosse uma ameaça à liberdade de meu bisavô, inclusive fotos e lembranças de Prestes com ele.

Depois de muita luta por parte de minha bisavó, Faustino foi solto após praticamente seis meses. Com sua soltura, meu bisavô nunca mais se encontrou com Prestes, este que permaneceu preso por mais tempo. Além disso, Faustino resolveu sair do Partido Comunista e passou a trabalhar em uma indústria química chamada Usina Columbina. Porém, como sempre gostou de se relacionar a assuntos da sociedade, entrou para o Sindicato dos Químicos em Santo André. Nesse entre meio, aconteceu um incidente, que foi o fator determinante para o “fim de sua vida”.

Num sábado à tarde no ano de 1952, avisaram Faustino, que era o encarregado da produção de produtos químicos, que a Usina Columbina havia pegado fogo. Infelizmente, coincidentemente, no mesmo dia, os comunistas atearam fogo no Porto de Santos. Os policiais, muito repressores na época, relacionaram – mesmo sem provas alguma – um acontecimento ao outro, e por Faustino ter uma ficha comunista e passagem pela polícia, foi preso novamente e sumiu. Minha bisavó, desesperada, após alguns meses, recorreu ao secretário da segurança pública Dr. Leite de Barros com um advogado, e com muita insistência, conseguiu que meu bisavô fosse liberado e comprovado que tudo se passou por um incidente.

Porém, essa segunda prisão afetou negativamente a vida de Faustino, “Isso acabou com a vida dele. Virou alcoólatra e passou a ser motorista em S.C.Sul. Todo sonho que ele tinha tanto em relação à politica, à sociedade como de sua vida foi jogado por água abaixo. Mal me lembro de meu pai feliz”, comenta meu avô.”

“Deixe as gordas em paz…” – um texto sobre respeito.

Por Amanda Sadalla, 3H2.

Hoje quando cheguei em casa abri o Facebook e vi que muitas pessoas estavam compartilhando um texto.. Fui checar o que era, um texto sobre “ deixe as gordas em paz” e gostei, gostei muito. Como intrometida, falante e hiperativa que sou, não me contive para me manifestar sobre o assunto. “Gordo e Magro.” Tenho imensa curiosidade para descobrir quem é o autor ou os autores destes termos ( e dar-lhes alguns tabefes..). Procurei no dicionário: Gordo: Que tem muita gordura. 2 Semelhante à gordura. 3 Que tem muita matéria sebácea. Magro: 1.Que tem falta de tecido adiposo, que tem poucas carnes, em que há pouca ou nenhuma gordura ou sebo. Percebem? O que nasceu como somente adjetivos para caracterizar a presença ou não de gordura no corpo, transformou-se, foram “adjetivados” pela sociedade. O gordo, torna-se sinônimo de feio, preguiçoso, algo negativo e o magro: o belo, o saudável, o admirável, o necessário.

O tal texto que li hoje foca nas mulheres. Pois bem, sou mulher, com 17 anos pode ter certeza que o magro e gordo estão ali todos os dias convivendo comigo. Não, não digo uma pessoa magra e outra gorda, digo o “Amanda.. Amanda.. está roupa está marcando aquela gordurinha ai do lado.. Amanda Amanda.. e essa celulite? Acho que você emagreceu um pouquinho…”viixi”, engordou de novo! Amanda.. e esse inchaço ? É a TPM né ? Amanda.. Amanda.. você vai ter mesmo coragem de mostrar a barriguinha ? hm…” Pois é, essa voz, sou eu mesma. Essa voz, é você mesma. Nós a criamos, nós a mantemos em nossa cabeça, nós lutamos contra ela.. E por que ela não vai embora?

O que me tira do sério é não conseguir compreender porque a magreza associa-se à beleza. Ok, concordo que seja muito mais saudável se manter em forma do que ter aqueles 10 kilos a mais. E não, não digo pela beleza ou feiura da barriguinha ai na frente, ou aquela gordura de lado, digo pelo Colesterol alto, pela Diabetes e tantos outros problemas. Também concordo que a obesidade seja um grande male do nosso século, crianças com menos de 6 anos obesas é algo alarmante. Mas aqui não quero falar sobre os extremos do sobrepeso ou da magreza, da saúde e da nutrição, a questão é o psicológico, o social, esta neurose pela magreza que nós mulheres temos.

Pra ser sincera, não posso e não tenho como falar de forma neutra sobre o assunto. Minha experiência nessa área de gordura, beleza e neurose com certeza não é das melhores. A bulimia já me atingiu, como tantas outras meninas. Acho curioso ouvir algumas pessoas conversando sobre este distúrbio. “Ela vomita porque se acha gorda, pra emagrecer”. Pois é, o que essas pessoas não sabem é que “ela” não vomita simplesmente por “se achar gorda”, ela se vê gorda. E não, ela não enxerga no espelho uma barriga gigantesca, ou uma perna exageradamente inchada, ela se enxerga como é, como sempre se viu, mas crê com toda a certeza do mundo que aquilo que vê é negativo, é insatisfatório.

Uma vez me perguntaram “ Mas o que você vê no espelho ? É outra imagem ? “ – O que mais veria no espelho se não eu mesma ? Me vejo, e não gosto do que vejo. Sim, tem horas que gosto, tem horas que não gosto, e tem momentos em que detesto.

A grande questão em torno da Bulimia, da Anorexia, e de tantos outros distúrbios alimentares que atormentam pessoas diariamente é a necessidade que temos em nossa sociedade de agradar o outro. Passei a vomitar como um escape, como a forma que encontrei de colocar para fora a insatisfação comigo mesma, o pensamento é “ eu estar gorda faz os outros estarem insatisfeitos comigo, eu estar gorda ocupa um espaço ruim na vida das pessoas. ” Hoje, sei que o maior passo que dei, e que tenho que dar todos os dias é entender que, meu peso e minha aparência não tem significado algum na vida daqueles que vivem ao meu redor.

Sabem aqueles típicos desenhos americanos que costumávamos assistir quando éramos pequenos, ou aquelas novelas Rebeldes, Chiquititas.. Lembram-se da tal “gordinha”? Aquela que se enchia de balas, que os meninos não gostavam, que as meninas excluíam.. É, pode parecer um pouco clichê, mas esta tal “ gordinha” está por ai em todos os lugares, todos dias. E não, ela não é mais chamada de “ gordinha” por ter mais massa corporal que os outros, este apelido tornou-se sinônimo daquela que por possuir uma mísera diferença, torna-se excluída, julgada e mal falada.

Agora, já pensaram quantas vezes na vida uma pessoa vai emagrecer, engordar, emagrecer, engordar? Esta “gordinha” de 6, 7 anos, justamente por ser tão pequena ainda não tem a maturidade de compreender que o corpo muda, que a aparência muda, ela absorve a imagem de “ gorda, de não ser boa o suficiente para fazer parte do grupo” como uma identidade e imagem eternas. E mesmo que depois cresça, emagreça, esta imagem a compõem e fará parte de sua identidade por muito tempo.

Por isso, a Bulimia, é muito mais profunda que o desejo de emagrecer, é a necessidade de tirar por alguns instantes esta imagem ruim que temos de nós mesmas e que carregamos conosco sempre. O exemplo da “ gordinha” é só um em meio a tantos outros. A insatisfação com a aparência nasce de mil outros lugares, situações e fatores.

Uma pessoa não precisa necessariamente ter sido gorda ou ser gorda, para sentir-se como tal. E isso ocorre justamente pelo o que disse anteriormente, o sentimento de “ser gordo” para muitos, não é o sobrepeso, é a ideia de não estar bom o suficiente. Insatisfação esta que relaciona-se com tantas outras coisas, e vai entender porque bulhufas ( esta já uma missão para psicólogos) invade nosso cérebro, nossa mente e nosso coração bem nessa área do “físico”. O que quero dizer, para me fazer mais clara, é que até mesmo alguém que não consiga seu empego dos sonhos, tenha um certo azar no trabalho, pode associar tal insatisfação com sua imagem. É como um anzol em uma vara de pesca, ele chega, da uma beliscada ali na imagem que vemos no espelho, e “puuum”, dói.

Meu objetivo com este texto não é dar um relato de vida, muito menos discutir a minha experiência (apesar de saber que o relato de alguém que superou este triste male ajude aqueles que o vivem). Mas sim, quero mostrar o quanto aquele “olha a gordinha passando”, machuca, humilha. Pais e mães, avós e professores não devem ter dó de crianças gordas, são gordas sim, são crianças, e pronto, deixe-as. (Digo, a saúde deve sempre prevalecer, mas não as maltrate, não as julgue por isso, muito menos as trate de forma diferente dos outros). As crianças têm uma sensibilidade incrível e a infância marca, marca profundamente. Por isso talvez, tratar de males da infância seja um desafio tão complexo e difícil. E por fim, “deixe as gordas em paz”. Será que um dia, nos livraremos deste estereótipo ridículo de gordo como algo ruim ?

Grandes Portas

Por Luca Gonçalves, 3H2.

“Sai um senhor que,
interessantemente, se traja e se porta como idoso,
de uma grandíssima porta enfiada
e esmagada entre sujíssimas construções que são,
para alguns, lares, mas,
para mim, mais um grande retrato da tristeza do capitalismo objetivista.
A luta pela sobrevivência da cidade se estende para as paredes do casebre – plantas, cabos, fios, grafites – não saberia afirmar sem a assistência de Darwin quais ganhariam
mas, sei apontar que o homem travava alguma atividade
entre as ferrugens que engoliam seu portão
(que semelhante ao dono, se portava como idoso, grunhindo e sendo feio).
O que faz agora este velho estagnado entre o primeiro e segundo passo de volta? Será que ele se esquece do tempo, ou se lembra que já viveu?
Viveu, por um tempo, sem o tempo, sem o fim ou o meio, só viveu.
Agora, ele, sistematicamente, voltava para a fechadura,
que consertava há segundos,
(me respondendo o que laborava de tanta importância
para o quebrar de sua rotina diária).
Consertou a dita cuja, e resmungou pelo desconforto de sair para a imundez e poluição que somos expostos nas ruas.
Abriu a porta (e como era grandíssima!)
e descontou a raiva na escada e nos degraus que subia (acho que também na porta do quarto).
Pela janela viam-se as orelhas do homem sustentando seus óculos que brilhavam e piscavam um azul, amarelo, agora preto e presumia-se que vinha da TV.
Presumia-se que os olhos se comprimiam.
Que as imagens se sucediam numa ordem que era quase perfeitamente igualável à sujeira das ruas. E, eu presumia tudo o que aconteceu. E a sociedade segue… observa… presume (entre sujeiras, prédios e, ora sim ora não, entre grandíssimas portas) vivendo a economia na morte da história e no aborto de classes literárias.”

Como marionetes

Por Letícia Evaristo, 3B1.

“Como controlar uma multidão? Como manipular tantas pessoas ao mesmo tempo, e fazê-las apoiarem a realização de certos interesses? Essa pergunta já permeou a mente de muitos, desde chefes de empresas e líderes de grupos de trabalhos escolares até governantes políticos. É pela análise desses últimos, líderes políticos, e de suas respostas à questão que se pode destacar três meios de controle de sociedades utilizados ao longo da História, principalmente em regimes totalitários: o medo, a mídia e a educação.

Já dizia Hobbes, em sua teoria contratualista sobre a política, que a sociedade abre mão de sua liberdade em troca da proteção que o Estado oferece. Quando uma ameaça se instaura, o povo aplaude o Estado no combate a ela. Diante disso, para ganhar amplo apoio, um governante pode criar ou potencializar uma ameaça social. É o caso do comunismo, uma ameaça potencializada por Vargas e pelo governo norte americano, no século XX, com a intenção de aumentar o respaldo popular aos respectivos governos. No primeiro caso, Vargas intensificou o medo da população criando secretamente o Plano Cohen, que alegava, falsamente, um plano de ataque comunista, e que deu ao governante justificativa para estabelecer um Estado autoritário. No caso norte americano, McCarthy potencializou o medo dos comunistas para que, por meio da sua política de combate ao “perigo vermelho”, ganhasse o respaldo da população.

A mídia, assim como a intensificação do medo, é um recurso muito utilizado pelos líderes totalitários para manipular a sociedade. Ao construir e divulgar uma imagem positiva do governo e de suas políticas, a mídia influencia a visão que a sociedade tem do Estado e garante seu sustento. Tanto a ditadura militar no Brasil quanto o facismo na Itália valeram-se dessa ferramenta. Por meio da censura à imprensa e controle dos jornais, rádio e TV, os militares mostravam a eficiência do seu governo. Mussolini, por sua vez, era cultuado pelos italianos, que o chamavam de “Dulce” e se submetiam às suas decisões.

Por meio do medo e da mídia, vê-se que é possível controlar as massas e garantir apoio. Mas como prolongar esse resultado? A educação oferece o “controle do futuro”, das gerações mais novas. Ditando o conteúdo que as escolas e universidades ensinarão, governantes conseguem o respaldo dos jovens não só divulgando uma imagem positiva do Estado, mas também construindo a mentalidade dos futuros adultos. É o caso da nazificação da educação, que incumbiu às escolas de difundirem valores racistas, e da educação maoísta que, após a Revolução Socialista da China de 1949, formou jovens adoradores de Mao Tsé-tung e defensores de seus interesses.

O medo, a mídia e a educação são, portanto, meios de controle da sociedade que foram usados ao longo da História por diferentes líderes políticos totalitários, como Vargas, Mussolini e Hitler, por exemplo. Ainda hoje, existem governantes que desejam levar a população a contribuir para o alcance de seus interesses. Considerando que os três meios permanecem ainda “disponíveis” na sociedade, deve-se estar atento ao uso que os governantes fazem deles, verificando se as informações divulgadas pela educação e pela mídia, principalmente, são verdadeiras e imparciais, a fim de que as massas não sejam cegamente manipuladas e, como marionetes, usadas para satisfazer as vontades de um líder.”

“Do The Birds Still Sing in Hell?” A História de um Homem que Nunca Deixou de Amar.

Por Isabela Albertini Yagi, 3B3.

“Nascido em dezembro de 1918 na Inglaterra, Horace Greasley trabalhava como barbeiro na pequena cidade onde nascera quando a Alemanha invadiu a Tchecoslováquia. Então com vinte anos de idade, ele decidiu abandonar seu emprego e servir seu país como soldado, mesmo tendo a possibilidade de ser dispensado se entrasse para o corpo de bombeiros local.

Após sete semanas de treinamento, Horace foi mandado para a França, onde ele e seu batalhão foram logo capturados, no dia 25 de maio de 1940. Os prisioneiros foram forçados a andar por dez semanas, da França à Bélgica, e a fazer uma viagem de trem, na qual vários morreram de disenteria, devido à precariedade da higiene. Ao chegar à Polônia, ele foi mandado para um antigo celeiro usado na primeira guerra mundial, onde os prisioneiros sofriam com o frio intenso, a falta de comida e constantes torturas. O próprio Horace chegou a ficar muito perto da morte após ter sido espancado por soldados.

O romance com Rosa Rauchbach começou no segundo campo de prisão de militares em que ficou preso, na Silésia, no norte da Alemanha, onde era mantido sob condições melhores do que na Polônia. Ela, então com 17 anos, era filha do diretor de uma mina de mármore anexa ao campo, e trabalhava como intérprete. A atração entre os dois jovens foi imediata, e estes logo começaram a se encontrar em oficinas, dormitórios ou qualquer lugar onde não seriam vistos.

Nem a transferência de Horace para um outro campo de militares a 65 quilômetros de distância impediu o namoro, que contou com a ajuda de várias pessoas para continuar. Eles passaram a se comunicar por bilhetes, que eram entregues por homens que iam cortar o cabelo com Horace. Dessa forma, Rosa conseguia avisar quando era enviada para trabalhar em locais próximos. Havia poucos soldados guardando as saídas, já que o país neutro mais próximo era a Suécia, 680 quilômetros ao norte, o que tornava tentativas de fuga inúteis. Mas não para Horace, que escapou mais de 200 vezes, escondendo-se entre outros homens que iam trabalhar fora do campo, ou à noite, pela janela de seu quarto, cujas barras, ele descobriu, podiam ser retiradas. Nos encontros, que aconteciam numa floresta próxima, Rosa trazia comida, que era depois dividida com os demais presos, e até peças que permitiram que Horace montasse um rádio, pelo qual ele e seus companheiros ouviam à BBC e assim, se mantinham informados sobre a guerra.

Na véspera de completar cinco anos sob captura, no dia 24 de maio de 1945, os soldados alemães fugiram, e o campo de Horace foi encontrado pelos russos. Já de volta à sua cidade, o casal chegou a trocar algumas cartas, mas poucos meses depois, ele parou de receber notícias. Passado um ano, Horace recebeu uma carta de uma amiga de Rosa dizendo que ela morerra num parto, em dezembro de 1945, junto com a criança.

Horace Greasley morreu aos 91 anos na Espanha, onde morava com a segunda mulher, deixando dois filhos e sua história de superação e esperança, contada por ele num livro que foi escrito com a ajuda do autor Ken Scott, intitulado “Do the Birds Still Sing in Hell?”. Neste, ele narra sua decisão de se alistar, o sofrimento durante a guerra, o choque da notícia da morte de Rosa e os anos que se seguiram.”

Alternativa ao Sistema

Por Aline Black, 3H1.

“Ao longo dos séculos os sistemas econômico, político e social sofreram muitas mudanças. Desde o feudalismo do século IV no qual as pessoas viviam em áreas agrárias delimitadas, passando pelo mercantilismo no qual a expansão territorial e a formação de colônias era necessária até o capitalismo, sistema vigente desde o século XVIII sustentado pela produção e lucro. Sendo o capitalismo um sistema consolidado há muito tempo, seria possível estabelecer uma forma de vida alternativa?

A integridade do capitalismo mundial já foi ameaçada por dois grandes movimentos: Primeiramente a expansão do socialismo no início da Guerra Fria que levou os Estados Unidos, maior potência capitalista, ao terror. Países foram isolados do comércio internacional e o medo de ataques comunistas era tão grande que gerou discriminação intolerância dentro deles. Em um período de maior estabilidade da Guerra Fria, nos anos 60, surge o movimento hippie que propunha a vida em coletividade e a liberdade para todos. Esse movimento mobilizou principalmente a população jovem e teve grande expressão nos Estados Unidos em oposição à guerra do Vietnã. Apesar de suas forças, os movimentos não foram capazes de destruir a hegemonia do capitalismo e foram impiedosamente reprimidos com ameaças e até mesmo ações militares.

Tal repressão capitalista pode ser notada também no século XXI, há um modo de vida imposto ao indivíduo: este deve estudar, se formar e trabalhar. Essas três atividades são necessárias à vide da pessoa, visto que sem uma boa formação a pessoa não consegue trabalhar e, portanto, não é capaz de se sustentar. O sistema capitalista está tão assimilado pelos indivíduos que, infelizmente, são alienados aqueles que buscam uma alternativa à vida baseada no dinheiro. A única possibilidade de vida alternativa são comunidades, geralmente rurais, as quais são pequenas, totalmente excluídas da dinâmica global e, até mesmo ignoradas pelos capitalistas. A dominação do capital sobre a maioria da população torna a busca por um novo sistema algo distante e utópico, visto que o capitalismo envolve a aceitação da forma de vida padronizada pela maioria da população mundial.

Em suma, o capitalismo trata-se de um regime repressor das ideias alternativas a ele. Essa repressão leva à impossibilidade do estabelecimento de um novo regime nos tempos atuais, no entanto, não exclui a possibilidades de mudanças futuras.”

Histórias Cruzadas

Por Mariana Mendonça Moreira, 3B4.

Imagine um país onde o preconceito e o racismo predominavam, e a tortura, a agressão psicóloga e muitas vezes a morte eram a consequência de todo esse ódio. Pensou na Alemanha nazista, não? Errou! Esse é os Estados Unidos da América na época do pós Guerra Civil, em que o Sul foi derrotado e o então presidente Abraham Lincoln aboliu a escravidão. Seria inconcebível pensar que a “land of liberty ” e da igualdade pudesse tratar com tamanho desprezo e desumanidade seres humanos e por tanto tempo, já que até meados de 1960 a segregação racial ainda era muito forte em diversas, se não em todas, as áreas dos EUA.

Hoje, 50 anos depois da Marcha sobre Wagshington, feita por Martin Luther King, convido todos para assistir à um filme de Tate Taylor que retrata muito bem como era ser negro naquela época. É um longa-metragem sensível que conta a vida de domésticas negras no Mississipi que trabalhavam arduamente para cuidar da casa e das crianças dos brancos, enquanto deixavam seus próprios filhos em casa. Além de passarem por diversas humilhações antes de chegar ao trabalho quase sempre eram proibidas de utilizar o banheiro da casa para fazer suas necessidades fisiológicas e tendo assim que esperar o dia inteiro até voltarem para casa. Isso entre tantos outros absurdos.

‘The Help’ ou ‘Histórias Cruzadas’ é intenso, emocionante e com uma pitada de comedia e o mais importante: não nos faz esquecer que somos todos seres humanos e que o ódio ao que é diferente de nós mesmos é um indicador de vergonha e ignorância e esse ódio sim é que não deve ser tolerado por ninguém, em lugar nenhum, em qualquer época.”

50 anos da “Marcha Sobre Washington”

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A “Marcha Sobre Washington” talvez tenha sido a maior demonstração pacífica organizada no século XX. Em 28 de agosto de 1963, aproximadamente duzentos mil homens e mulheres de várias etnias, credos e ocupações estiveram presentes para expressar seu apoio à luta pelos direitos civis, mais precisamente para ajudar a pressionar os deputados sulistas a aprovarem o “Civil Reghts Act”, que acabaria legalmente com a segregação das pessoas negras nos Estados Unidos. Olhando com a distância que o tempo permite, as pessoas qua participaram desse evento lá estiveram para expressar o profundo incômodo de viver em um país democrático onde as pessoas negras não eram vistas como seres humanos.

Dos vários oradores do evento, o mais importante foi Martin Luther King Jr., que proferiu seu famoso discurso em que a frase “I have a dream” servia para ligar seus anseios com os da platéia. Sonhava com a integração pacífica de todos os seres humanos de seu país, com o dia em que “todos os filhos de Deus”, brancos e negros dariam as mãos como irmãs e irmãos. Sonhava também com o dia em que seus quatro filhos seriam julgados por seu carater e não pela cor de sua pele. Essa é a parte mais universal do sonho, pois para todos nós ele ainda está  mais longe de ser realizado.

Veja o discurso completo em

 

O Pódio Sob a Foice e o Martelo

Por Caio Duarte, 3H2.

Misha

“Com a polarização do mundo após a Segunda Guerra, ficou evidente que a disputa entre os dois blocos se daria em todos os campos imagináveis. O Esporte, tendo a competição em sua essência, foi um instrumento de exposição das capacidades soviéticas e comunistas nessa corrida pela supremacia tecnológica.

A União Soviética e seus Estados parceiros aproveitavam as competições internacionais, como as Olimpíadas, para exibir o que seus atletas modelo conseguiam fazer. Os limites desses homens e mulheres, muitas vezes levados ao extremo, eram expandidos com anabolizantes e outros produtos químicos que o Estado lhes fazia ingerir. Célebres são os casos das ginastas soviéticas que impressionavam o mundo com suas habilidades, mas que se aposentaram por doenças causadas pela ingestão excessiva de substâncias para o doping.

Ainda que a URSS fosse a maior potência atlética do bloco, a Nação que melhor desenvolveu e aplicou um programa de doping foi a antiga Alemanha Oriental, onde os órgãos responsáveis pelos esportes selecionavam os melhores dentre os melhores para competir sob o efeito de substâncias que melhorassem a performance. Alguns acreditam que essa vantagem dos alemães fora em parte causada pela herança das indústrias químicas que a DDR herdou da antiga Alemanha, já que grande parte das indústrias e laboratórios alemães ficou do lado soviético na divisão da Alemanha Nazi. Outros acreditavam que a superioridade nos esportes advinha da antiga estrutura de treinamento de ponta dos nazistas.

Os efeitos da criação desses superatletas vermelhos são até hoje sentidos entre os alemães orientais. Um caso famoso, mas não isolado, é o de Heidi Krieger, ouro no lançamento de pesos pela equipe olímpica da DDR, que foi selecionada para participar do programa de doping e ingeriu quantidades tão altas de esteroides (10 vezes a dose que atletas costumam usar) por uma frequência tão grande que seu corpo acabou por perder a regulação de hormônios femininos e começou a transformá-la em homem. Após um cirurgia de mudança de sexo, Heidi, que já tinha adquirido aparência e feições masculinas, passou a se chamar Andreas, e hoje é um senhor calvo e com problemas de saúde por causa das altas quantidades de hormônio que foi forçada a ingerir, sem ter conhecimento do que fazia.

Com o agravamento da disputa na Guerra Fria e os boicotes às Olimpíadas, o desempenho desses atletas acabou ofuscado pela mídia ocidental e pela falta de oportunidades mundiais para que competissem, mas a herança dos grandes programas de formação de atletas ainda sobrevive nos quase-militares programas de treinamento chineses, que obtêm resultados espetaculares quando seus atletas competem internacionalmente.

O curioso de todo esse quadro é o caso cubano. Sem doping, subsídios e treinamento excessivo, Cuba continuou seguindo sua tradição no beisebol, e ainda hoje, mesmo não possuindo liga profissional, apenas com atletas da liga amadora nacional, é a maior detentora de títulos desse esporte. A Ilha dos Castro possui 36 ouros, contra 6 dos EUA, segundo colocado entre os títulos dos campeonatos que a Federação Mundial de Beisebol realiza desde 1938. Seus atletas, de origem amadora, são as estrelas predominantes na liga americana, ainda que venham de uma Cuba sem infraestrutura para seu preparo.
O legado da Guerra Fria nos esportes, mais marcado pelas partidas entre as duas Alemanhas e as duas Coreias, além do simpático ursinho Misha, da olimpíada de Moscou, pode ser definido como uma era de aperfeiçoamento de atletas como nunca antes visto, e ainda hoje não igualada em inúmeros esportes. Foram-se os tempos das ginastas romenas de nota 10 e dos alojamentos isolados, mas ainda fica a lembrança, toda vez que é tocado o hino da Rússia, de mesma melodia do da defunta URSS, e seus atletas cantam a antiga letra… ‘União (in)destrutível das Repúblicas(…) sólida base dos povos irmãos…’”

O Futuro do Passado

Por Vinícius Lombardi, 3H2.

“‘O Futuro é o intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido. Referente a algo que irá acontecer, o futuro é o estado utilizado na mecânica clássica para dizer algo que está por vir. É o que ainda não aconteceu. Na mecânica quântica não existe a figura de futuro, pois esta atua de forma atemporal.’ Traduzindo, o futuro é o que ainda não aconteceu ainda e virá, de uma maneira ou outra, surgir. E mesmo quando ele surge, não se encerra, pois sempre haverá algo a ser continuado, a não ser que o universo acabe. Apesar de bolas de cristal que realmente funcionem não existirem, é possível se fazer algumas previsões baseadas no processo histórico até dado momento e até mesmo na esperança da sociedade do que irá vir pela frente. Até meados do século XX, a tecnologia ainda não era presente no dia a dia e as grandes novidades da época eram mecanizadas. Com isso, é natural que se esperasse que no tão aguardado Século XXI vivêssemos em uma sociedade mecanizada, com o máximo que a engenharia pudesse nos oferecer. A imaginação das pessoas fluía solta, ao passo em que esperavam que cada um de nós teria seu próprio avião e que o trânsito de automóveis que possuímos hoje estaria no céu, e não nas estradas. Pedreiros? Para quê? As máquinas serão capazes de construir prédios inteiros, em questão de poucos dias. Cabeleireiros? Com certeza teremos máquinas capazes de cortar nossos cabelos sozinhos da maneira que desejarmos. Talvez até mesmo nem precisemos de uma dessas, já que a medicina anda tão avançada aqui na atual década de 1920 que em breve poderemos ter um medicamento pra controlar a nossa quantidade de cabelo na medida em que quisermos não é? Escola? Livros? Ora, impossível que até 2001 ainda tenhamos de levantar para ir aprender! Aposto que teremos sistemas capazes de introjetar o conhecimento diretamente em nossos cérebros. Livros serão obsoletos e só servirão para vermos como um dia já fomos atrasados ao ler essas coisas.

É, em algumas crenças todos nós passamos bem longe, como se percebe. Mas mesmo assim, em outras podemos dizer que o ser humano foi até conservador. Impossível negar que a medicina veio avançando em ritmo desenfreado nos últimos anos, e hoje somos capazes de curar doenças que algum dia já foram consideradas causas de morte certa, como o câncer. Hoje se é capaz até de amenizar os efeitos da AIDS, e uma cura definitiva para os tumores está a caminho. Além disso, a tecnologia de hoje é algo inimaginável para as gerações anteriores: em 1980 se acreditava que ALGUM DIA, existiria um computador para cada 1000 habitantes nos EUA, e que os telefones celulares seriam tão leves quanto um tijolo grande, ou seja, reduziriam muito de peso. Com certeza Graham Bell deve estar se revirando em seu caixão ao ver o que nossos smartphones de hoje em dia são capazes de fazer. E até mesmo em países não tão ricos, as classes sociais mais baixas conseguem adquirir um computador de uso próprio. Os carros não voam, mas são cada vez mais eficientes, econômicos e seguros, de um jeito que não se esperava há muitos anos atrás. E, apesar de ainda irmos à escola para assistirmos pessoalmente à aula, o auxílio da tecnologia avançou muito nossa forma de aprendizagem. Seja pelo fácil acesso à internet, que é uma enciclopédia gigantesca e aberta presente em infinitos idiomas, seja pelo santificado ar-condicionado que nos salva nas manhãs do verão tropical.

E o que nos guarda para o futuro? Carros elétricos com zero de emissão de gás carbônico, uma medicina ainda mais avançada, o fim do mundo em algum momento (nem que seja quando o Sol se extinguir) e, claro, a morte. Essa última é a única coisa que podemos prever com garantia total que um dia nos irá acometer. Até ela chegar, resta-nos continuar desenvolvendo nosso futuro e da humanidade. Nem que seja dentro da nossa cabecinha imaginando como será 10 de junho de 2384 na rua onde moramos.”

Sem título 3

Fonte da imagem: http://www.techzine.com.br/arquivo/em-1910-como-as-pessoas-pensavam-que-seria-o-ano-2000/.