ELEIÇÕES 2014

Publicado em 04/09/14

As eleições estão chegando. 2014 é ano de eleições. Os eleitores deverão votar nos cargos de Presidente da República, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual.

A eleição para Presidente, pela importância do cargo sobre os demais, acaba polarizando as atenções. Na disputa presidencial surgiu um fato não esperado. A morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, num acidente aéreo, como resultado o destino bateu à porta de sua vice, Marina Silva, colocando-a na disputa não mais como uma protagonista secundária, pois até então, sua tentativa de fazê-lo havia sido impedida por não ter conseguido registrar a tempo seu partido, Rede Sustentabilidade. As últimas pesquisas (IBOPE/DATA FOLHA) do início de setembro indicam um empate técnico entre Marina Silva e Dilma Roussef, candidata do PT à reeleição. Como explicar esse aparecimento fulgurante de Marina Silva? Vários aspectos devem ser levados em consideração. Primeiro a candidata têm um espaço importante na política nacional, pois na última eleição presidencial conseguiu 20% dos votos válidos. Não custa lembrar que Eduardo Campos, na última pesquisa feita antes do acidente que o vitimou estava com só 8% das intenções de voto. Um segundo aspecto importante, que os institutos de pesquisa têm demonstrado desde as manifestações de junho/julho de 2013, que há no eleitorado uma vontade de mudança. Um terceiro aspecto é que Marina Silva está atraindo eleitores que votariam em branco ou nulo e que também está tirando eleitores de outros partidos, particularmente do candidato Aécio Neves do PSDB, como bem demonstra a última pesquisa DATA FOLHA do dia 03 de setembro, indicando 14% das intenções de voto para o candidato do PSDB (na pesquisa DATA FOLHA do dia 18 de agosto Marina Silva tinha 21% das intenções de voto e Aécio Neves tinha 20%).

Em contrapartida há uma série de questões que estão nas análises políticas e para as quais ainda não há respostas, mas mesmo assim, devem ser colocadas. Primeira. Conseguirá Marina Silva resistir ao bombardeamento que PT e PSDB já fazem à sua pessoa com o intuito de desconstruir sua imagem positiva existente frente ao eleitorado? Segunda. Conseguirá Marina Silva responder adequadamente as contradições existentes em seu projeto político como, por exemplo, sua postura ambientalista versus agronegócio, ou sua defesa de se ensinar o Criacionismo nas escolas? Ou o recuo na proposta para a comunidade LGBT e sua posição contrária ao aborto?  Ao lançar seu programa de governo teve que modificá-lo um dia depois devido pressões de grupos evangélicos. Terceira. Em caso de sua vitória. Ela imporá suas ideias ou deverá seguir as ideias do partido que a acolheu, no caso o PSB? Haverá espaço político para ambas as propostas? Quarta. Em caso de sua vitória qual será o papel do Rede Sustentabilidade em seu governo? Quinta. Caso eleita. Como será construída a governabilidade de seu governo no Congresso sem possuir a maioria dos votos dos Deputados e Senadores? Sexta. Aécio Neves conseguirá recuperar o espaço perdido ou já está sofrendo do processo conhecido em política como cristianização (*)? Sétima. Caso esteja sofrendo o processo de cristianização como se comportará o PSDB em sua aproximação de Marina Silva? Quais serão suas exigências? É interessante para o PSDB “bater duramente” na candidatura Marina Silva ou, percebendo que não haverá mais possibilidades de recuperação para Aécio Neves, “pegar mais leve” nos ataques contra Marina Silva para facilitar a aproximação num segundo turno? Oitava. E os fisiologistas de plantão? Verdadeiras aves de rapina da política brasileira. Como se comportarão? Nona. E a candidatura Dilma e o PT. Quais mudanças farão para não perder a reeleição? Se perderem, como será a relação com o grupo vencedor, particularmente se for representado pela vitória de Marina Silva, pois se há conflitos entre ela e setores do partido, há também identificações, pois Marina Silva filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1985 lá permanecendo até 2009. Muitas perguntas. Muitas respostas. Vamos ver o que o destino nos reserva. Independentemente dos projetos políticos postos em discussão, é fundamental a presença de todos os eleitores nas urnas.

(*) A expressão cristianização de um candidato tem sua origem quando nas eleições de 1950 o candidato do PSD, Cristiano Machado, foi abandonado à própria sorte pelo partido, pois o PSD na prática acabou a apoiando a candidatura vitoriosa de Getúlio Vargas (PTB /PSP).

BRASILIA FIANT EXIMIA – Pelo Brasil façam-se grandes coisas.

Roberto Nasser

 

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