Somos todos macacos?

Publicado em 02/05/14

 

A banana atibanana fsp 020514rada contra o jogador Daniel Alves gerou uma série de protesto mundo afora, como esta charge publicada na Folha de S. Paulo de 2 de maio de 2014. Sobre esse tema a aluna Sofia Tapajós também fez uma reflexão que segue no texto abaixo. Espero que gostem. Prof. Roberto Nasser.

 

Macacos?

 

No sábado, dia 26 de Abril, era visto mais um exemplo de racismo no campo. O jogador Daniel Alves, antes de cobrar um escanteio, foi atingido por uma banana, fruta relacionada aos primatas, jogada por um torcedor.

 

O ato descarado de racismo comoveu os brasileiros nas redes sociais, inundadas de hashtags “@somostodosmacacos” e fotos de banana.

 

Mas por que macaco?

 

Primeiro, e infelizmente, os africanos e americanos nativos foram relacionados aos primatas no século XVIII, quando o cientista francês Camper alegou que os gregos antigos seriam os homens originais. Quando eles saíram de seu lugar de origem, foram se degenerando conforme o meio no qual passaram a viver. Assim, para ele, tanto orangotangos como africanos e europeus eram originários dos helênicos, mas afetados em maior ou menor grau pelo meio.

 

Logo depois, com Lamark, passou-se a acreditar que o homem era descendente direto do macaco, sendo os não-europeus a ponte entre esses dois elos. Até sobre a teoria de Darwin desenvolveram um caráter racista: através da seleção natural, os brancos chegaram a um estágio de evolução superior ao dos negros, tanto social quanto biologicamente.

 

Não é preciso dizer que essa animalização absurda serviu de justifica para os maiores genocídios da história, como o holocausto e a ocupação do Congo.  E, em pleno século XXI, somos obrigados a rever todo esse preconceito.

 

O ato de jogar uma banana não foi uma ação de carinho para com o jogador para prevenir possíveis câimbras. O ato jogar uma banana foi uma ação racista ofensiva, que remete a um mau uso extremo da ciência.

 

Não, não somos todos macacos, somos todos seres humanos. E que o arremessador de bananas fique no século XVIII.

 

Sofia Tapajós/ 3H1

 

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