1964, 50 anos depois II

Publicado em 21/03/14

ditadura-militar-soldados-caminhãoNeste segundo post sobre os 50 anos do golpe civil militar de 1964 lembrarei um episódio significativo para entendê-lo, me refiro à “Operação Brother Sam”.

Em 1963, um pouco antes de ser assassinado, o presidente Kennedy, preocupado com a tendência de o Brasil tornar-se uma nova Cuba, criou um plano para uma intervenção americana no Brasil ao lado das forças anti Goulart, forças essas que seriam responsáveis pela deposição do presidente brasileiro. Elio Gaspari, em seus livros sobre a ditadura brasileira (vide post 1 sobre esse assunto) reproduziu o seguinte trecho, retirado dos arquivos do Miller Center (Universidade de Virgínia): “Você vê a situação indo para onde deveria, acha aconselhável que façamos uma intervenção militar? (Presidente Kennedy). Bem, essa é a outra categoria, que eu chamo de Contingência Perigosa possivelmente requerendo uma ação rápida. (Lincoln Gordon-embaixador americano no Brasil). (…) Acho que devemos tomar todas as medidas que pudermos e estar preparados para fazer tudo o que for preciso. (…) Simplesmente não podemos aceitar esse aí (Goulart) Lyndon Johnson, presidente americano, após a morte de Kennedy.

No dia 31 de março de 1964, quando o golpe contra João Goulart iniciou-se, o presidente Lyndon Johnson, pôs em prática ‘Operação Brother Sam”. Foram enviados ao Brasil um porta aviões (Forrestal), seis destroieres, com 110 toneladas de munição, um porta-helicópteros, um posto de comando aerotransportado e quatro petroleiros. Quando o governo americano soube que o golpe contra Goulart havia sido bem sucedido, a operação militar foi suspensa e, em seu lugar, rapidamente entrou em ação a diplomacia americana reconhecendo o novo governo brasileiro.

Aos que gostam de associar o estudo da História aos filmes, um boa dica é o documentário “O Dia que Durou 21 Anos”. Nele, há uma série de depoimentos e documentos americanos mostrando a ingerência americana no Brasil, inclusive nas forças armadas brasileiras.

Bom filme.

Roberto Nasser

Compartilhe por aí!
Use suas redes para contar o quanto a Band é legal!