1964, 50 anos depois II

ditadura-militar-soldados-caminhãoNeste segundo post sobre os 50 anos do golpe civil militar de 1964 lembrarei um episódio significativo para entendê-lo, me refiro à “Operação Brother Sam”.

Em 1963, um pouco antes de ser assassinado, o presidente Kennedy, preocupado com a tendência de o Brasil tornar-se uma nova Cuba, criou um plano para uma intervenção americana no Brasil ao lado das forças anti Goulart, forças essas que seriam responsáveis pela deposição do presidente brasileiro. Elio Gaspari, em seus livros sobre a ditadura brasileira (vide post 1 sobre esse assunto) reproduziu o seguinte trecho, retirado dos arquivos do Miller Center (Universidade de Virgínia): “Você vê a situação indo para onde deveria, acha aconselhável que façamos uma intervenção militar? (Presidente Kennedy). Bem, essa é a outra categoria, que eu chamo de Contingência Perigosa possivelmente requerendo uma ação rápida. (Lincoln Gordon-embaixador americano no Brasil). (…) Acho que devemos tomar todas as medidas que pudermos e estar preparados para fazer tudo o que for preciso. (…) Simplesmente não podemos aceitar esse aí (Goulart) Lyndon Johnson, presidente americano, após a morte de Kennedy.

No dia 31 de março de 1964, quando o golpe contra João Goulart iniciou-se, o presidente Lyndon Johnson, pôs em prática ‘Operação Brother Sam”. Foram enviados ao Brasil um porta aviões (Forrestal), seis destroieres, com 110 toneladas de munição, um porta-helicópteros, um posto de comando aerotransportado e quatro petroleiros. Quando o governo americano soube que o golpe contra Goulart havia sido bem sucedido, a operação militar foi suspensa e, em seu lugar, rapidamente entrou em ação a diplomacia americana reconhecendo o novo governo brasileiro.

Aos que gostam de associar o estudo da História aos filmes, um boa dica é o documentário “O Dia que Durou 21 Anos”. Nele, há uma série de depoimentos e documentos americanos mostrando a ingerência americana no Brasil, inclusive nas forças armadas brasileiras.

Bom filme.

Roberto Nasser

1964, 50 anos depois

1964 generalEm História, nem todos os aniversários de datas históricas devem ser comemorados, mas os acontecimentos históricos marcados por ameaças a liberdade e a democracia, entre outros aspectos, devem ser lembrados para que não se repitam. O desconhecimento da História de seu país forma, no mínimo, um universo de ignorantes políticos. O mais grave é quando esse ignorantes políticos, usando os meios de comunicação existentes, procuram construir uma verdade histórica de não existiu. Um bom exemplo dessa ignorância política é alardear que no tempo da ditadura militar não existia corrupção no Brasil. Neste mês de março o golpe civil militar de 1964 completa 50 anos. Sobre o evento muito se tem dito e escrito. Nessa linha, gostaria de indicar três autores que lançaram importantes livros sobre o período militar.

O primeiro autor é o jornalista Elio Gaspari. Na verdade, Elio Gaspari está relançando sua monumental obra sobre o período militar. Lançados entre 2002 e 2004, os quatro livros do jornalista Elio Gaspari que retratavam a ditadura “envergonhada”, “escancarada”, “derrotada” e “encurralada”. Dez anos depois de lançados ganham edições atualizadas e versões digitais com áudios, vídeos e novos documentos, que lançam luz sobre arquivos de Golbery e Geisel. Para ver o arquivo digital, basta acessar o link http://www.arquivosdaditadura.com.br/

O outro autor é o historiador Marcos Napolitano. Seu livro 1964 História do Regime Militar Brasileiro, faz uma série de  análises políticas, econômicas, sociais e culturais do período, englobando música, cinema e teatro.

A terceira indicação é o livro do historiador Carlos Fico. Elaborada dentro da Coleção FGV de Bolso, 1964 Momentos decisivos, a obra relata ao leitor alguns antecedentes do golpe de 1964, da inesperada chegada de Goulart ao poder e da crise política que antece­deu sua derrubada. O autor também aborda o golpe em si e os momentos dramáticos vividos pelo Brasil no final de março e início de abril daquele ano e ainda demonstra como o “gol­pe” virou “ditadura”, isto é, como o evento de março de 1964 tornou-se o inaugurador do mais longo regime autoritário do Brasil republicano.

Boas Leituras

Roberto Nasser

CRIMEIA uma História já conhecida

Iron-Maiden-The-trooper

“Half a league, half a league,

Half a league onward,

All in the valley of Death

Rode the six hundred.

‘Forward the Light Brigade!

Charge for the guns!’ he said:

Into the valley of Death

Rode the six hundred.”

A Guerra da Crimeia, de 1853 a 1856, foi um desastre para todas as partes envolvidas, tendo causado mais de 300 mil mortes –80 mil em combate, 40 mil por ferimentos e mais de 100 mil por doença. O Exército britânico, por exemplo, perdeu 2.755 homens em ação, 2.019 por ferimentos e mais de 16 mil por doença. Além das velhas questões geopolíticas envolvendo o Império Russo, a França , a Inglaterra, o Império turco e a Sardenha, a guerra passou para história também pela presença de Florence Nightingale, enfermeira britânica, pioneira na ajuda aos feridos de guerra e pelo fato de ter sido a primeira guerra ampalmente fotografada. A Crimeia foi motivo para um importante poema da literatura inglesa, “The Charge of the Light Brigade”, de Alfred Lord Tennyson, inclusive inspirando um filme do estúdio Warner e a música, The Trooper, do grupo musical Iron Maider, que abre esse artigo.

Hoje quando se debate a questão da Ucrânia, a região da Crimeia retornou ao cenário mundial. Para saber mais sobre importante acontecimento da história contemporânea acesse o link abaixo. Nele o historiador inglês KENNETH MAXWELL, num artigo para o jornal Folha de São Paulo, retrata, de forma sintética, mas precisa o que foi a Guerra da Crimeia.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/155084-crimeia.shtml

Roberto Nasser