O Chefe de Faustino

Publicado em 09/11/13

Por Giovana Fabbri, 3H1

“Após horas e horas de conversa e histórias contadas pelo meu avô Sideneo Walter Torres Rios cheguei a seguinte conclusão: o comunista e militar Luís Carlos Prestes foi praticamente o chefe de meu bisavô (pai de meu avô).

Por volta dos anos 1945, época em que o Brasil era governado por Getúlio Vargas, meu bisavô Faustino Torres Antão, que sempre ansiou trabalhar na política, recebeu um convite para abrir e ser o responsável pelo Partido Comunista em São Caetano do Sul. Por simpatizar com as propostas e com a ideologia do partido, resolveu aceitar. A cada quinzena, Luís Carlos Prestes e os partidários se reuniam em São Caetano e Santo André e muitas das vezes, devido ao horário de funcionamento do trem, Prestes se acomodava na casa de meu bisavô. Juntos, participaram de inúmeros protestos contra o governo de Getúlio Vargas, porém meu bisavô preferia protestar de maneira pacífica levando até a própria família “fui a inúmeros protestos no colo de meu pai, naquela época a polícia era bem mais violenta que hoje em dia”, afirma meu avô.

Devido à intensa convivência, cresceu a amizade e a simpatia do comunista com Faustino, fato que infelizmente foi se esfalecendo com o tempo, em decorrência à prisão de Prestes.
Nessa época, o partido ainda era considerado legal, porém, em 1947, após a decretação de sua ilegalidade pelo governo Dutra, Prestes e o Partido Comunista passaram a sofrer intensa repressão, inclusive aquele comitê que estava sob responsabilidade de meu bisavô. Assim como diz meu avô “Vários partidários sumiram, inclusive amigos do meu pai… Até hoje ninguém sabe de nada, meu pai só não morreu, pois foi preso com Prestes”. Devido às invasões nos comitês, inúmeras fichas dos partidários forem pegas pela polícia, e como nela havia o endereço, meu bisavô foi preso e muitos sumiram. Por sorte, por ser muito próximo de Prestes, além de se refugiarem muitas vezes juntos, ele foi preso junto a este, inclusive na mesma cela.

Durante a repressão, os policiais estavam atrás de provas para incriminar quem era partidário do PC. Minha bisavó foi obrigada a queimar ou esconder (até dentro de latas de arroz) todo e qualquer documento que fosse uma ameaça à liberdade de meu bisavô, inclusive fotos e lembranças de Prestes com ele.

Depois de muita luta por parte de minha bisavó, Faustino foi solto após praticamente seis meses. Com sua soltura, meu bisavô nunca mais se encontrou com Prestes, este que permaneceu preso por mais tempo. Além disso, Faustino resolveu sair do Partido Comunista e passou a trabalhar em uma indústria química chamada Usina Columbina. Porém, como sempre gostou de se relacionar a assuntos da sociedade, entrou para o Sindicato dos Químicos em Santo André. Nesse entre meio, aconteceu um incidente, que foi o fator determinante para o “fim de sua vida”.

Num sábado à tarde no ano de 1952, avisaram Faustino, que era o encarregado da produção de produtos químicos, que a Usina Columbina havia pegado fogo. Infelizmente, coincidentemente, no mesmo dia, os comunistas atearam fogo no Porto de Santos. Os policiais, muito repressores na época, relacionaram – mesmo sem provas alguma – um acontecimento ao outro, e por Faustino ter uma ficha comunista e passagem pela polícia, foi preso novamente e sumiu. Minha bisavó, desesperada, após alguns meses, recorreu ao secretário da segurança pública Dr. Leite de Barros com um advogado, e com muita insistência, conseguiu que meu bisavô fosse liberado e comprovado que tudo se passou por um incidente.

Porém, essa segunda prisão afetou negativamente a vida de Faustino, “Isso acabou com a vida dele. Virou alcoólatra e passou a ser motorista em S.C.Sul. Todo sonho que ele tinha tanto em relação à politica, à sociedade como de sua vida foi jogado por água abaixo. Mal me lembro de meu pai feliz”, comenta meu avô.”

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