Histórias Cruzadas

Por Mariana Mendonça Moreira, 3B4.

Imagine um país onde o preconceito e o racismo predominavam, e a tortura, a agressão psicóloga e muitas vezes a morte eram a consequência de todo esse ódio. Pensou na Alemanha nazista, não? Errou! Esse é os Estados Unidos da América na época do pós Guerra Civil, em que o Sul foi derrotado e o então presidente Abraham Lincoln aboliu a escravidão. Seria inconcebível pensar que a “land of liberty ” e da igualdade pudesse tratar com tamanho desprezo e desumanidade seres humanos e por tanto tempo, já que até meados de 1960 a segregação racial ainda era muito forte em diversas, se não em todas, as áreas dos EUA.

Hoje, 50 anos depois da Marcha sobre Wagshington, feita por Martin Luther King, convido todos para assistir à um filme de Tate Taylor que retrata muito bem como era ser negro naquela época. É um longa-metragem sensível que conta a vida de domésticas negras no Mississipi que trabalhavam arduamente para cuidar da casa e das crianças dos brancos, enquanto deixavam seus próprios filhos em casa. Além de passarem por diversas humilhações antes de chegar ao trabalho quase sempre eram proibidas de utilizar o banheiro da casa para fazer suas necessidades fisiológicas e tendo assim que esperar o dia inteiro até voltarem para casa. Isso entre tantos outros absurdos.

‘The Help’ ou ‘Histórias Cruzadas’ é intenso, emocionante e com uma pitada de comedia e o mais importante: não nos faz esquecer que somos todos seres humanos e que o ódio ao que é diferente de nós mesmos é um indicador de vergonha e ignorância e esse ódio sim é que não deve ser tolerado por ninguém, em lugar nenhum, em qualquer época.”

50 anos da “Marcha Sobre Washington”

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A “Marcha Sobre Washington” talvez tenha sido a maior demonstração pacífica organizada no século XX. Em 28 de agosto de 1963, aproximadamente duzentos mil homens e mulheres de várias etnias, credos e ocupações estiveram presentes para expressar seu apoio à luta pelos direitos civis, mais precisamente para ajudar a pressionar os deputados sulistas a aprovarem o “Civil Reghts Act”, que acabaria legalmente com a segregação das pessoas negras nos Estados Unidos. Olhando com a distância que o tempo permite, as pessoas qua participaram desse evento lá estiveram para expressar o profundo incômodo de viver em um país democrático onde as pessoas negras não eram vistas como seres humanos.

Dos vários oradores do evento, o mais importante foi Martin Luther King Jr., que proferiu seu famoso discurso em que a frase “I have a dream” servia para ligar seus anseios com os da platéia. Sonhava com a integração pacífica de todos os seres humanos de seu país, com o dia em que “todos os filhos de Deus”, brancos e negros dariam as mãos como irmãs e irmãos. Sonhava também com o dia em que seus quatro filhos seriam julgados por seu carater e não pela cor de sua pele. Essa é a parte mais universal do sonho, pois para todos nós ele ainda está  mais longe de ser realizado.

Veja o discurso completo em

 

O Pódio Sob a Foice e o Martelo

Por Caio Duarte, 3H2.

Misha

“Com a polarização do mundo após a Segunda Guerra, ficou evidente que a disputa entre os dois blocos se daria em todos os campos imagináveis. O Esporte, tendo a competição em sua essência, foi um instrumento de exposição das capacidades soviéticas e comunistas nessa corrida pela supremacia tecnológica.

A União Soviética e seus Estados parceiros aproveitavam as competições internacionais, como as Olimpíadas, para exibir o que seus atletas modelo conseguiam fazer. Os limites desses homens e mulheres, muitas vezes levados ao extremo, eram expandidos com anabolizantes e outros produtos químicos que o Estado lhes fazia ingerir. Célebres são os casos das ginastas soviéticas que impressionavam o mundo com suas habilidades, mas que se aposentaram por doenças causadas pela ingestão excessiva de substâncias para o doping.

Ainda que a URSS fosse a maior potência atlética do bloco, a Nação que melhor desenvolveu e aplicou um programa de doping foi a antiga Alemanha Oriental, onde os órgãos responsáveis pelos esportes selecionavam os melhores dentre os melhores para competir sob o efeito de substâncias que melhorassem a performance. Alguns acreditam que essa vantagem dos alemães fora em parte causada pela herança das indústrias químicas que a DDR herdou da antiga Alemanha, já que grande parte das indústrias e laboratórios alemães ficou do lado soviético na divisão da Alemanha Nazi. Outros acreditavam que a superioridade nos esportes advinha da antiga estrutura de treinamento de ponta dos nazistas.

Os efeitos da criação desses superatletas vermelhos são até hoje sentidos entre os alemães orientais. Um caso famoso, mas não isolado, é o de Heidi Krieger, ouro no lançamento de pesos pela equipe olímpica da DDR, que foi selecionada para participar do programa de doping e ingeriu quantidades tão altas de esteroides (10 vezes a dose que atletas costumam usar) por uma frequência tão grande que seu corpo acabou por perder a regulação de hormônios femininos e começou a transformá-la em homem. Após um cirurgia de mudança de sexo, Heidi, que já tinha adquirido aparência e feições masculinas, passou a se chamar Andreas, e hoje é um senhor calvo e com problemas de saúde por causa das altas quantidades de hormônio que foi forçada a ingerir, sem ter conhecimento do que fazia.

Com o agravamento da disputa na Guerra Fria e os boicotes às Olimpíadas, o desempenho desses atletas acabou ofuscado pela mídia ocidental e pela falta de oportunidades mundiais para que competissem, mas a herança dos grandes programas de formação de atletas ainda sobrevive nos quase-militares programas de treinamento chineses, que obtêm resultados espetaculares quando seus atletas competem internacionalmente.

O curioso de todo esse quadro é o caso cubano. Sem doping, subsídios e treinamento excessivo, Cuba continuou seguindo sua tradição no beisebol, e ainda hoje, mesmo não possuindo liga profissional, apenas com atletas da liga amadora nacional, é a maior detentora de títulos desse esporte. A Ilha dos Castro possui 36 ouros, contra 6 dos EUA, segundo colocado entre os títulos dos campeonatos que a Federação Mundial de Beisebol realiza desde 1938. Seus atletas, de origem amadora, são as estrelas predominantes na liga americana, ainda que venham de uma Cuba sem infraestrutura para seu preparo.
O legado da Guerra Fria nos esportes, mais marcado pelas partidas entre as duas Alemanhas e as duas Coreias, além do simpático ursinho Misha, da olimpíada de Moscou, pode ser definido como uma era de aperfeiçoamento de atletas como nunca antes visto, e ainda hoje não igualada em inúmeros esportes. Foram-se os tempos das ginastas romenas de nota 10 e dos alojamentos isolados, mas ainda fica a lembrança, toda vez que é tocado o hino da Rússia, de mesma melodia do da defunta URSS, e seus atletas cantam a antiga letra… ‘União (in)destrutível das Repúblicas(…) sólida base dos povos irmãos…’”

O Futuro do Passado

Por Vinícius Lombardi, 3H2.

“‘O Futuro é o intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido. Referente a algo que irá acontecer, o futuro é o estado utilizado na mecânica clássica para dizer algo que está por vir. É o que ainda não aconteceu. Na mecânica quântica não existe a figura de futuro, pois esta atua de forma atemporal.’ Traduzindo, o futuro é o que ainda não aconteceu ainda e virá, de uma maneira ou outra, surgir. E mesmo quando ele surge, não se encerra, pois sempre haverá algo a ser continuado, a não ser que o universo acabe. Apesar de bolas de cristal que realmente funcionem não existirem, é possível se fazer algumas previsões baseadas no processo histórico até dado momento e até mesmo na esperança da sociedade do que irá vir pela frente. Até meados do século XX, a tecnologia ainda não era presente no dia a dia e as grandes novidades da época eram mecanizadas. Com isso, é natural que se esperasse que no tão aguardado Século XXI vivêssemos em uma sociedade mecanizada, com o máximo que a engenharia pudesse nos oferecer. A imaginação das pessoas fluía solta, ao passo em que esperavam que cada um de nós teria seu próprio avião e que o trânsito de automóveis que possuímos hoje estaria no céu, e não nas estradas. Pedreiros? Para quê? As máquinas serão capazes de construir prédios inteiros, em questão de poucos dias. Cabeleireiros? Com certeza teremos máquinas capazes de cortar nossos cabelos sozinhos da maneira que desejarmos. Talvez até mesmo nem precisemos de uma dessas, já que a medicina anda tão avançada aqui na atual década de 1920 que em breve poderemos ter um medicamento pra controlar a nossa quantidade de cabelo na medida em que quisermos não é? Escola? Livros? Ora, impossível que até 2001 ainda tenhamos de levantar para ir aprender! Aposto que teremos sistemas capazes de introjetar o conhecimento diretamente em nossos cérebros. Livros serão obsoletos e só servirão para vermos como um dia já fomos atrasados ao ler essas coisas.

É, em algumas crenças todos nós passamos bem longe, como se percebe. Mas mesmo assim, em outras podemos dizer que o ser humano foi até conservador. Impossível negar que a medicina veio avançando em ritmo desenfreado nos últimos anos, e hoje somos capazes de curar doenças que algum dia já foram consideradas causas de morte certa, como o câncer. Hoje se é capaz até de amenizar os efeitos da AIDS, e uma cura definitiva para os tumores está a caminho. Além disso, a tecnologia de hoje é algo inimaginável para as gerações anteriores: em 1980 se acreditava que ALGUM DIA, existiria um computador para cada 1000 habitantes nos EUA, e que os telefones celulares seriam tão leves quanto um tijolo grande, ou seja, reduziriam muito de peso. Com certeza Graham Bell deve estar se revirando em seu caixão ao ver o que nossos smartphones de hoje em dia são capazes de fazer. E até mesmo em países não tão ricos, as classes sociais mais baixas conseguem adquirir um computador de uso próprio. Os carros não voam, mas são cada vez mais eficientes, econômicos e seguros, de um jeito que não se esperava há muitos anos atrás. E, apesar de ainda irmos à escola para assistirmos pessoalmente à aula, o auxílio da tecnologia avançou muito nossa forma de aprendizagem. Seja pelo fácil acesso à internet, que é uma enciclopédia gigantesca e aberta presente em infinitos idiomas, seja pelo santificado ar-condicionado que nos salva nas manhãs do verão tropical.

E o que nos guarda para o futuro? Carros elétricos com zero de emissão de gás carbônico, uma medicina ainda mais avançada, o fim do mundo em algum momento (nem que seja quando o Sol se extinguir) e, claro, a morte. Essa última é a única coisa que podemos prever com garantia total que um dia nos irá acometer. Até ela chegar, resta-nos continuar desenvolvendo nosso futuro e da humanidade. Nem que seja dentro da nossa cabecinha imaginando como será 10 de junho de 2384 na rua onde moramos.”

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Fonte da imagem: http://www.techzine.com.br/arquivo/em-1910-como-as-pessoas-pensavam-que-seria-o-ano-2000/.

Imagens e História

Por Francisco Felipe Preuss, 3B1.

“As imagens sempre foram um modo das sociedades humanas registrarem os acontecimentos de sua época. Desde a pré-história até hoje as imagens constituem um conjunto de valores e sentimentos que foram eternizados tanto em pinturas quanto em fotografias. Além disso, as imagens dizem a respeito de cada período vivido pelo homem, logo são de suma importância para os historiadores e para a humanidade.

Alegria, desgosto, ideologias, tristeza e conquistas. Algumas imagens conseguem transmitir tão bem as sensações e sentimentos de determinados momentos históricos que acabam consagrando-se como “históricas”. Elas sintetizam dezenas de páginas de um livro de história em poucos centímetros quadrados e, por isso, adquirem uma notoriedade imensa.

No entanto, algumas pessoas argumentam que as imagens desoladoras e imbuídas de pensamentos odiosos devem ser esquecidas da história humana. Creio eu que o maior equívoco é o esquecimento. O passado deve sempre ser levado adiante de modo que as futuras gerações possam aprender com os erros do passado e entender suas vidas para construir um futuro melhor. Que as imagens históricas transmitam pelos séculos a vida humana e não deixem o mundo esquecer suas origens.

 Abaixo duas imagens históricas 1- Soldado desolado durante a 1a Guerra Mundial representa os desgostos sofridos durante esse conflito devastador 2- Beijo entre um marinheiro e uma enfermeira após a noticia do fim da segunda guerra na times square em Nova York.”

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Rick Wakeman e as seis esposas de Henrique VIII

Por André Federighi, 3H2.

“Em 1973, o tecladista Richard “Rick” Wakeman, da banda Yes, lançou seu primeiro disco de rock progressivo, intitulado “The Six Wives of Henry VIII”.  O disco é baseado na história das seis esposas de Henrique VIII, segundo monarca da Dinastia Tudor e fundador da Igreja Anglicana.

O disco, instrumental composto por seis faixas (Catherine Aragon, Anne of Cleves, Catherine Howard, Jane Seymour, Anne Boleyn e Catherine Parr), faz alusão ao período conturbado da Reforma Protestante e ao episódio considerado estopim para o rompimento da Monarquia Inglesa com a Igreja Católica: o desejo do Rei Henrique VIII de anular seu casamento com Catarina de Aragão.

Cada faixa contém a interpretação de Wakeman sobre a musicalidade de cada uma das seis esposas do fundador da Igreja Anglicana. Isso, a partir da leitura que Rick fizera sobre elas um ano antes, enquanto viajava em turnê pelos Estados Unidos com a banda Yes.

Curiosamente, no ano do lançamento do disco, Wakeman manifestou seu desejo em realizar um show com o tema no Castelo de Hampton Court Palace, construído por Henrique VIII. Apenas 35 anos depois a realeza britânica concordou em realizar o show, em comemoração aos 500 anos da ascensão de Henry VIII ao trono inglês.”

Vale a pena conferir as músicas:

Catherine Aragon: http://www.youtube.com/watch?v=toaRG0PX-rU

Anne of Cleeves: http://www.youtube.com/watch?v=G3DW9vn6S9w

Anne Boleyn: http://www.youtube.com/watch?v=8t8rHrqIE08

Catherine Parr: http://www.youtube.com/watch?v=Rf9RL_oj5m4

Catherine Howard: http://www.youtube.com/watch?v=k7lFVdZmnSo

Jane Seymour: http://www.youtube.com/watch?v=QLUfcwSXsdM

As manifestações de junho e a cidadania

Por Luís Carlos Farah e Paola Conde*
“As manifestações iniciadas em junho e prolongadas até os dias de hoje se caracterizam pela falta de um projeto concreto e de uma liderança política. De forma semelhante aos socialistas utópicos, os manifestantes clamam por um país melhor, mas não apontam como solucionar seus problemas. Ademais, não possuem um discurso uniforme devido à união de diversas reivindicações nos protestos.
Dessa forma, os movimentos são desorganizados, e para obter atenção, os manifestantes promovem o fechamento de avenidas e estradas, além de lamentáveis ações de vandalismo. Por outro lado, os governantes, desesperados com o desprestígio da classe política entre o povo brasileiro, passaram a adotar medidas pouco democráticas.
Um exemplo recente dessas ações é a decisão de aumentar o curso de medicina de 6 para 8 anos. Com isso, os alunos de medicina serão obrigados a trabalhar dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS). A finalidade dessa medida é aumentar o número de profissionais nos lugares carentes.
Contudo, a decisão do governo fere os direitos naturais do homem, de acordo com o teórico liberal John Locke. Para este filósofo, a vida, a propriedade e a liberdade devem ser garantidas a qualquer cidadão pelo Estado. O Brasil, cuja constituição vigente defende esses direitos naturais, está, pois, contrariando seus próprios princípios ao tomar esse tipo de decisão, já que viola a liberdade dos estudantes de medicina.
Em suma, a crença na eficiência desses protestos é questionável, pois o resultado deles pode ser a ativação de um mecanismo ditatorial. Nós, portanto, como futuros médicos preocupados com o país, esperamos ansiosamente as próximas decisões dos governantes brasileiros para acompanhar o rumo da nação.”

* A Paola e o Luis são ex-alunos do Band, da 3B1/2012.