O Peixe Nosso de Cada Dia

Por Caio Duarte, 3H2.

“A Economia Política, matéria das últimas aulas de História Geral, acabou levando à tona algo que me deixou muito intrigado, o bizarro fato de o Brasil ter um ministério da pesca. O ministério por si só já fomenta curiosidade em seu nome. Muitos são os que zombam de sua existência, ainda mais pelo fato de o chefe desta pasta, Marcelo Crivella, ser não um pescador ou líder de um sindicato de pesqueiros, mas sim cantor gospel e pastor. Pois bem, para entender a existência desse ministério, é possível usar a economia política para explicar o que motivou sua criação durante o decênio petista, celebrado no Congresso há alguns dias atrás. Para isso é preciso entender como pensava Lula e como pensa Dilma, e mais importante, o que faz Mantega sobre esses pensamentos dos presidentes que lhe chefiaram. Lula e Dilma, de tendências Keynesianas, buscaram promover em seus governos uma política de bem estar social, tentando melhorar a qualidade de vida da população e suas condições de trabalho, por meio da reformulação das políticas sociais de Dona Ruth Cardoso, criando o Bolsa-Família, aumentando o salário mínimo e reformando a Previdência (esta última bem de leve). Mas para isso, agindo dentro da economia do país, reforçaram a intervenção localizada do Estado na economia, sem afetar diretamente o mercado. O que foi feito de forma tímida, ainda que representativa se comparada às tendências neoliberais do governo FHC. Assim, a alocação de recursos no governo Lula serviu de modo a reforçar o crescimento do país. Mas não se pode dizer que se interviu na economia ao ponto de gerar protecionismo, pois essa alocação de recursos se deu mais no aparato do Estado do que no mercado, o que Keynes sugere. É daí que surge o ministério da pesca, quando Lula decide reforçar um setor em potencial da economia com a regulação do Estado e políticas exclusivas para atender as demandas da indústria pesqueira. Mas com o passar do tempo a pasta tornou-se apenas mais um cabide de empregos em Brasília, e as tendências keynesianas só serviram para se contrariar, visto que o tal ministério gera gastos de mais de sete milhões com sua manutenção e que a quantidade de pescados produzidos, 990 mil toneladas, é a mesma desde 2002, quando foi criada a pasta.  Assim percebe-se que o pensamento keynesiano que poderia gerar melhorias sociais e econômicas acabou se tornando mais um exemplo de ineficiência governamental, algo que tenta combater em sua teoria aplicada. Esse é o Brasil, onde Keynes acaba pescando sem isca em barco alugado…”