A ideologia do estresse

Vivemos na era da felicidade a qualquer custo? Por que as pessoas têm cada vez mais dificuldades em lidar com frustrações? Afinal, há o tempo de semear e há o tempo de colher. Esse é o tema da reflexão do aluno Caio, da 3H1. Vale muito a leitura e um tempo para pensarmos sobre o ritmo da vida…

 

“Desilusão, decepção e estresse. ‘O destino dos seres humanos é feito de momentos felizes e não de épocas felizes’, está é uma máxima do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que é solução para uma das maiores questões internas dos seres humanos, achar que a felicidade é necessária a todo instante.

Se a felicidade vem da comparação com a tristeza, os momentos de alegria seriam tão intensos se a felicidade fosse constante? É natural que as pessoas se sintam pressionadas no mundo em que vivemos hoje.

A falta de tempo e a dinamicidade da globalização tendem a causar a tal ‘síndrome de obsolescência’, que é quando o indivíduo não consegue acompanhar (não que seja possível) as inovações que o capitalismo impõe, como por exemplo, os celulares que a cada dia adquirem mais funções enquanto o consumidor não consegue nem entender as funções básicas do aparelho e então vive com uma eterna sensação de estar ultrapassado.

O fato de não conseguir acompanhar as inovações, somado a mentalidade de felicidade como obrigação mais a idealização do futuro geram então estresse em muitas pessoas. O excesso de tensão pode ser trágico. Muitos entram em depressão profunda e tem como única saída o uso de remédios psicoativos que além de viciar podem transformar pessoas da água para o vinho, nem sempre para melhor.

Vem à tona então a pergunta deixada ao leitor no início do texto, e um trecho de música de um grande sambista brasileiro, Zeca Pagodinho: ‘Deixa a vida me leva, vida leva eu’, que parece ser supérflua mas que na verdade é, em sua essência, uma crítica à sociedade contemporânea geradora de estresse e mecanização do ser humano, resgatando talvez ‘Tempos Modernos’ e o fordismo, que foram tirados das fábricas e colocados na mente do homem como ideologia.”

 

Sobre a Escola

No texto abaixo o aluno Eduardo Mora, da 3B3, faz uma excelente reflexão sobre o papel que a instituição escolar exerceu ao longo da História. Lembremos que a palavra educação é carregada de um duplo significado: “ducere” (conduzir) e “edução” (extrair). Daí seu duplo movimento entre o transformar e o conservar.  Encontrar o necessário equilíbrio entre esses dois pólos ainda é uma grande tarefa da Escola.

“Há algum tempo, meu pai me disse uma frase que ficou comigo. Era uma manhã de domingo, e estávamos passando por um colégio. Começamos a conversar sobre escolas, e então ele me disse: ‘Se alguém do passado viajasse para nosso tempo, a única coisa que ele reconheceria seria a escola.’ Rimos um pouco da frase, e continuamos a andar e conversar sobre amenidades. Porém, apenas alguns dias depois me toquei de quanto essa frase era verdadeira.

Pense bem: um aluno vai à escola, senta quieto em seu lugar, observa o professor mostrar a matéria nova e faz exercícios repetidamente, até fixar a fórmula matemática ou a data histórica necessária para passar em um teste. Esse método, testado e usado durante diversos séculos, se provou tão eficiente que ninguém pensou em mudá-lo.

Desde o Egito Antigo, onde os aprendizes a escribas equilibravam placas de cera sobre os joelhos para aprender os complicados hieróglifos, a figura do professor se mantém.  Às vezes chamado de ‘mestre’, ele é quem  tem a obrigação de repassar o conhecimento aos alunos. Essa  é,  talvez,  a única coisa que teve um semblante de mudança durante a longa vida das instituições escolares: ao invés de aprendermos sobre teologia e sobre o geocentrismo, estudamos a Física Moderna e a Genética.

É certo que nem todas as escolas do mundo foram desse jeito.  A Escola Pitagórica, na Grécia Antiga, não era bem uma escola em si, mas sim uma instituição de pesquisa onde os grandes matemáticos da época podiam aperfeiçoar suas teorias e dividir o conhecimento que possuíam com outras pessoas igualmente bem instruídas, mediante a aprovação em um exame de admissão.

Esta, aliás, é também uma constante imutável no plano escolar. Embora o vestibular de agora seja condizente com as matérias dos dias de hoje, ele também não se alterou muito durante os anos, embora um vestibulando que falhe na prova não seja mais decapitado, para o enorme alívio dos alunos de hoje.

Algumas escolas de hoje em dia tentam inovar seu métodos. Há uma escola em Portugal na qual os alunos decidem as matérias que vão estudar, não fazem provas e apenas precisam comparecer para serem aprovados. Embora o ensino dessa maneira seja questionável, os resultados não deixam sombra de dúvida: a escola possui vários alunos de alto nível no mundo inteiro.

Olhando por esse ângulo, e com distanciamento histórico, podemos concluir apenas que, já que o método não mudou nesses muitos anos de ensino, o bom e velho ‘senta e copia’  é ainda o método mais eficiente de ensino. E, por mais que os anos tragam inovações tecnológicas,  as escolas, esses monumentos ao conhecimento, continuarão firmes e fortes na longa história da humanidade.”

 

 

Educação como um “pensar global”

A proposta inovadora no modelo de educação de uma escola norte-americana é o tema discutido pela aluna Amanda Sadalla, da 3H2, em seu primoroso texto. É uma reflexão muito pertinente e necessária diante dos novos rumos que a educação deverá seguir  no século XXI.

“Outro dia meu pai veio todo empolgado me mostrar um artigo de Gilberto Dimenstein sobre uma escola americana, ou melhor, uma super escola. Think Global School leva 36 alunos (escolhidos em uma rígida seleção) durante os 4 anos do ensino médio para 12 países ao redor do mundo. Em cada um destes países, os alunos moram em ‘host schools’, onde dividem quartos com os colegas, têm aulas regulares como história, geografia, matemática e outras um tanto quanto inovadoras, como ‘global studies’ e Mandarim. Os professores, acompanham os alunos durante toda a jornada e junto deles, desfrutam das diferentes culturas e hábitos de cada país. Já pensou em aprender sobre a II Guerra Mundial em um campo de refugiados na Alemanha? Ou ter aulas de biologia nos mares australianos? E até mesmo compreender a cultura indígena com uma tribo no Equador? Essas são algumas das surpreendentes experiências vividas por estes jovens. O projeto, sem fins lucrativos, foi fundado pela neozelandesa McPike que afirma: ‘nenhuma escola é capaz de ensinar as peculiaridades do mundo, a preocupação central não é obter uma nota, mas desenvolver a capacidade de se entregar às aventuras do conhecimento.’ Desde então, sigo cada passo da Think Global pela internet, assistindo vídeos postados por alunos sobre suas viagens e seu dia a dia, como por exemplo, um vídeo em que a professora de matemática ensina, ou melhor, demonstra a aplicação de funções aos alunos do 9th grade construindo catapultas, ou um artigo escrito por uma aluna sobre uma palestra assistida em Harvard sobre o desperdício de alimento. Um provérbio chinês do filósofo Confúcio nos da uma ótima noção do grande objetivo desta escola: ‘Quando escuto, esqueço. Quando vejo, lembro. Quando experimento, entendo.’ Diante de tantas transformações vividas atualmente, não estaríamos nós no caminho para uma grande inovação na educação ? Quem sabe, Mc Pike não poderá abrir nossas mentes para as novas transformações do modelo educacional, como fez Maria Montessori? Como disse Jean Piaget: ‘O principal objetivo da Educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram’. Hoje, participar de um projeto como este, custa uma ‘pequena’ fortuna para a família do estudante, mas quem sabe, em alguns anos, projetos como este estarão disponíveis (com preços mais acessíveis) para tantos jovens com grande potencial que sentem-se restringidos pelo modelo atual de ensino?”

 

Macarrão à Carbonara

Para os que viveram a útlima ditadura no Brasil, fiquem tranquilos. Este blog não está publicando receitas para denunciar a censura.  Para provar que a História está em tudo, o Gabriel de Almeida, da 3H1, resolveu investigar as relações entre o Macarrão à Carbonara e os Carbonários, famosos revolucionários italianos do século XIX. O texto é muito bom, mas o macarrão…

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“O processo de unificação da Itália ocorreu durante o século XIX. Durante esse período pode-se destacar a atuação clandestina dos Carbonários. Criada em 1810 por um grupo de napolitanos, constituído por maçons da pequena e média burguesia, a sociedade secreta se reunia em carvoarias (carbonaro em latim significa carvoeiro) em oposição ao domínio napoleônico na Península Itálica. Vale ressaltar que existia uma incoerência muito interessante, pois os Carbonários, ainda que inimigos da França, se inspiravam nos ideais da Revolução Francesa que levou Napoleão ao poder.

Embora a queda de Bonaparte representasse a libertação dos sete Estados italianos do controle francês, a unificação da Itália era cada vez mais improvável. A formação de um único Estado era inconveniente para o Império Austríaco que fortalecia sua influência na região e para a nobreza que acabara de retomar o governo de suas respectivas regiões graças ao Congresso de Viena. Porém, os carbonários mantiveram suas ações. Os “bons primos”, como eram conhecidos, possuíam uma visão extremamente romântica quanto à revolução que pretendiam realizar. Acreditavam que através de simples insurreições urbanas conseguiriam destruir os poder locais e, finalmente, fundar a Itália e posteriormente executar reformas políticas e sociais. Tolos primos. As revoltas foram violentamente reprimidas e o plano carbonário falhou. Anos depois, o projeto Ressurgimento para unificação italiana obteve sucesso e um único país foi formado.

Contudo, a sociedade carbonária deixou uma famosa receita culinária como herança: o macarrão à carbonara. Tal massa é extremamente saborosa e marcada pela facilidade e rapidez no preparo, sendo perfeita para as necessidades dos carbonários que precisavam ser ágeis e tinham poucos ingredientes disponíveis. Aqui vai a receita:

Ingredientes: 300g de pancetta (ou bacon); 1 dente de alho amassado; 1 colher (sopa) de azeite; 600g de spaghetti; 5 ovos; 5 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado; 5 colheres (sopa) de queijo pecorino ralado; pimenta do reino e sal a gosto

Modo de Preparo: Corte a pancetta em pedacinhos bem pequenos. Em uma frigideira, coloque um pouco de azeite e o alho amassado. Junte a pancetta até ficar dourada e soltar a gordura. Quando o alho estiver dourado pode retirá-lo (serve para dar mais sabor). Em um recipiente, bata os ovos inteiros com os queijos ralados e moa a pimenta-do-reino por cima. Misture até que fique homogêneo. Misture o spaghetti cozido al dente à frigideira da pancetta (ainda no fogo) e depois coloque o ovo batido por cima.”

Mangia che te fa bene!

ANQUIER, Olivier – receita do espaguete à carbonara – http://gnt.globo.com/receitas/Espaguete-a-carbonara–veja-receita-autentica-de-Olivier-Anquier.shtml.

 

Richard Wagner: amigo íntimo e coadjuvante do nacionalismo alemão

Richard Wagner foi um dos maiores músicos do século XIX. Criou obras que mantém sua qualidade mais de um século depois. Personalidade forte e controvertida, Wagner colocou sua obra a serviço do nacionalismo alemão. É sobre isso que trata o texto abaixo, excrito pela Luisa Soezima, da 3E2. Quando ela veio conversar comigo sobre o texto, percebi que ela entende muito da música de Wagner. E investigou o ponto certo.

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“O caminho até a unificação alemã em 1871 foi resultado, dentre muitas outras ações, da influência militar do chanceler Otto von Bismarck. E o fervor nacionalista aceso na época é resultado da existência do grande compositor e maestro Richard Wagner. É inevitável ressaltar que esse mesmo músico teve uma explicita atuação militar (chegou a ser exilado  entre 1848 e 1860) e nesse mesmo espectro, foi se envolvendo cada vez mais entre os políticos e chefes da época,  sempre buscando maior valor às suas obras, embasando-as em faces míticas da região, onde antes ocupavam pequenos principados e ducados.

Wilhelm, nome de batismo de Wagner, ressaltava sua convicção nacionalista, em que sua verdadeira missão era difundir a revolução aonde quer que passasse.  E é aqui nesse contexto que se enquadra o ser papel decisivo para a formação do ‘kultur’ alemão, caracterizando a plena defesa da cultura local e a ênfase da particularidade de cada povo, mesmo antes de ser concretizada a noção territorial de Alemanha.

O grande compositor foi responsável por explorar muito mais do que o simples plano orquestral, submetendo não só os músicos, mas também os ouvintes ao caráter fabuloso dos mitos alemães. No turbulento período do segundo Reich, ficaram evidente os laços entre a cultura e a política, era como uma aliança indireta de objetivos entre o líder político-militar Otto Von Bismarck, e o otimista Richard Wagner, que apesar de sua importância, recebeu muitas críticas por parte dos poderosos da época, inclusive por parte do chanceler, quando sugeriu seu ingresso (Wagner) no Renascimento Espiritual da Alemanha.

Voltando ao caráter nacionalista, patriota e legendário das obras wagerianas, a ópera ‘Lohengrin’ (1848-1850) é um legitimo exemplo disso, apesar de ter sido escrita vinte anos antes da unificação da Alemanha. Nela, esse padrão é evidenciado desde o primeiro ato em que se percebe a sugestão de formação de um suposto Império, havendo referencias a espadas (simbolizando a luta) e a existência de um líder. Assim como a referencia à lenda do cavalheiro Percival e seu filho, Lohengrin, marcando o lado mítico da obra.

É, portanto inegável que a chama do nacionalismo alemão teve seu inicio muito antes dos despertares militares e conflituosos durante a unificação dos principados germânicos. Sendo assim, deixo uma questão: será essa formação de um Estado unificado um movimento tardio, ou foi tardia a percepção da existência da união pelos poderosos da época?”

No link http://www.youtube.com/watch?v=qpHhEXw0XgU você encontra uma apresentação da ópera Lohengrin no Teatro Scala em 2012.

Soldados há Muito Esquecidos

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Por André Bolini, 3B1.

Quando estudamos História nos anos de colégio, temos, sem dúvida, uma visão muita rápida e um tanto superficial dos eventos, uma vez que, se fôssemos estudar a fundo cada caso, levaríamos uma vida inteira. Acredito, entretanto, na existência de alguns temas que deveriam ser estudados por todos e aprofundados em determinados aspectos. Este é o caso da Primeira Guerra Mundial.

No dia 28 de julho de 1914, com a invasão da Sérvia pelas tropas austro-húngaras, estourou a guerra que, conforme as expectativas, deveria durar “até o Natal”. No entanto, tais expectativas não passaram de simples esperanças, uma vez que o conflito perdurou até novembro de 1918. Começava assim a Primeira Guerra Mundial, também conhecida como a Grande Guerra. As batalhas e os movimentos dos exércitos são as informações que se sobressaem. Destaco, contudo, um aspecto que acredito merecer, ao mínimo, um pouco mais de nosso conhecimento: a vida dos soldados. Assim que mencionado o soldado da Primeira Guerra Mundial, muitos pensam nos inúmeros combatentes posicionados em suas trincheiras, prontos para defendê-las ou atacar as inimigas e nada mais. Mas a verdade é que a vida do homem que lutou entrincheirado na Grande Guerra supera, e muito, o pouco conhecimento da maioria das pessoas relacionado às ofensivas travadas nas linhas escavadas.

Quando soava o apito, o mais temido momento chegava: subir a trincheira (expressão muito conhecida como “go over the top”). Soldados, equipados com mochilas e aparatos que podiam totalizar uma massa de 30 Kg, escalavam as improvisadas escadas construídas nas trincheiras e encaravam, quase que imediatamente, a morte trazida por uma chuva de balas vindas das metralhadoras inimigas. A ofensiva que melhor ilustra tal situação foi a Terceira Batalha de Ypres, também conhecida como a Batalha de Passchendaele. Nela, foram vitimados aproximadamente 400 mil britânicos contra a morte de 65 alemães. Os números devem-se ao fato de os teutões terem em seu poder a mais decisiva arma em um campo de batalhas: a metralhadora.

Mas, além dos críticos momentos ao enfrentar o fogo inimigo, os soldados também enfrentavam outros adversários nas próprias trincheiras: a água, a lama, o tédio e as doenças. Em batalhas como a do Somme e a de Ypres, a chuva obrigava os homens a, primeiramente, vencer a lama e as armadilhas escondidas nas crateras causadas por explosivos cobertas por água que muitas vezes tragavam os heróis que não conseguiam escapar da morte devido ao peso de seus equipamentos. Ao se aproximar das trincheiras inimigas, também precisavam vencer o arame farpado que se emaranhava com a terra encharcada. E, como se não bastasse, em suas próprias linhas, muitas vezes precisavam lidar com a enchente das trincheiras que os impedia do descanso. As doenças também se proliferavam de modo ultrajante uma vez que a chuva acabava desenterrando os corpos de soldados que, em estado de decomposição, transmitiam bactérias facilmente, o que resultava em incontáveis infecções nos feridos.

Por esses e outros motivos, considero o estudo da vida dos soldados que combateram na Primeira Guerra Mundial e que normalmente são esquecidos, não apenas importante por seu aspecto acadêmico de conhecimento, mas também por uma questão de honra ao que estes homens fizeram e morreram para fazer, os homens que verdadeiramente decidiram a guerra.

 

A morte de Hugo Chaves

61527-004-91D63A28Ontem, dia 05 de março, à tarde, todos nós fomos surpreendidos pelo anúncio da morte do líder venezuelano, Hugo Chaves. Na verdade não ficamos tão surpresos assim, já que a falta de informações confiáveis sobre sua recuperação lembram um episódio semelhante que nós fomos os protagonistas, a morte do presidente Tancredo Neves, em 1985, também antes de tomar posse.

Chaves era líder (não sei se é correto chamar de presidente) da Venezuela desde 1998. Dizia-se seguidor ou herdeiro do Libertador, alegando estar conduzindo a “Revolução Bolivariana”, que levaria o país ao socialismo. Aí tem um problema (intencional?): o Libertador, venezuelano como Chaves, não era socialista. Longe disso, era é liberal mesmo.

Carismático, populista,  parece ter surgido da mais pura tradição dos caudilhos latino americanos, já que até militar era. Adorado pelos seguidores, atacado por opositores, deixou um país em crise econômica e profundamente dividido. Figura prá lá de controversa,  utilizava a velha e surrada retórica antiimperialista latino americana, tirada lá da década de 1960, que põe a culpa nos Estados Unidos por de tudo que existe de ruím nesta parte do continente. Aliou-se inclusive, a alguns países notadamente opositores dos Estados Unidos, como o Irã. Também, quando tinha saúde, buscou se projetar como o líder da América Latina, rivalizando com Lula e falando alto nas conferências ibero-americanas de que participou, recebendo até uma sonora bronca do rei da Espanha numa delas.

Mal comparando, sua história lembra muito a do general Perón, militar argentino e maior líder populista da América Latina morto em 1973, de quem os argentinos ainda esperam o retorno em todos os políticos que ousam envergar a faixa presidencial.

Literatura em mais de 140 caracteres

O texto abaixo ajuda a desmistificar um pouco a ideia que os alunos de exatas só se interessam por números e cálculos. O Bruno Sato, da 3E1, apresenta uma oportuna reflexão sobre a importância da leitura de textos com um pouquinho mais que 140 carcateres, que é o tamanho padrão dos textos de nossa querida rede. Gostei muito.

“‘Viver está mais corrido atualmente’ é uma frase pronta tão disseminada por reportagens e redes sociais que já adquiriu um status de verdade universal. De fato, podemos sentir no nosso dia-a-dia que parece haver muito menos tempo disponível para realizar nossas atividades do que havia antigamente. Isso se deve, principalmente, à maior necessidade das pessoas de se fazer mais coisas em menos tempo (pensamento difundido principalmente pelas Revoluções Industriais). Dentro disso, é preciso ressaltar um ponto muito importante da vida das pessoas que parece estar se perdendo nessa bagunça: a leitura.

A maioria dos adolescentes parece não ter mais interesse em dedicar seu tempo para ler, em parte porque os meios de entretenimento avançaram tanto – e o livro continuou o mesmo em essência – que passar o dia com os olhos vidrados nas páginas de um livro parece tarefa árdua demais para alguém com tão pouco tempo a perder. Há um fundo de razão nesse pensamento. Com o advento do Facebook e do Twitter, é possível ter informações instantaneamente, sem ter que gastar mais de um ou dois minutos para compreender a ideia geral da mensagem. Dessa forma, é compreensível que as pessoas não se animem ao encarar aquele grosso livro de centenas de páginas.

O tema já é batido, mas carrega muita verdade consigo: ler faz bem. Professores costumam repetir essa máxima a tal ponto que acabam irritando os alunos, mas nesse caso, eles estão certos. Ler não deve ser encarado como uma simples forma de melhorar a sua redação no vestibular ou adquirir conhecimentos para impressionar os outros (embora essa seja a ideia que guie muitos dos estudantes), mas sim, como uma maneira de viver outra vida, e aprender mais sobre a sua.

Todo autor dedica seu esforço e alma na intenção de atingir o leitor de alguma forma com sua obra, seja no aspecto filosófico, racional ou puramente emocional. É impressionante, se pensarmos bem, como um mero conjunto de palavras pode se organizar na cabeça de cada um e criar um sentido que signifique algo para nós, ou que abra nossa mente para um contexto inteiramente diferente do qual vivemos. Talvez a parte mais intrigante seja tentar explicar como um autor que estava em condições totalmente diferente das atuais poderia assimilar em sua obra tantos dos sentimentos e experiências que são vividos por pessoas até hoje.  Há coisas na vida que são atemporais, naturais, e estão presentes na história pessoal de todos. O belo da literatura é esse: a tentativa de descrever em palavras aquilo que é indescritível.  E para isso são necessários um pouco mais de 140 caracteres.”

O Cubo Mágico

Semana passada o Luís Vicente, da 3H2, disse que iria mandar um texto para o blog que era uma resposta a um post publicado o ano passado, sobre as diferenças entre as gerações. Vou deixar que nele próprio explique: “o texto abaixo nasceu como uma resposta ao escrito ‘As diferenças entre as gerações’, aqui do Histo é Blog. Entretanto, veio a se alongar tanto e gerar tanto interesse em mim, e também um sentimento de que podia e devia ser acessível a mais gente, que decidi colocá-lo como um texto propriamente dito no blog.” Depois disso, só o texto mesmo.

“Pensar sobre a geração a qual pertence é comum. No entanto, é importante ressaltar que num planeta tão grande e diverso, o ‘mundo’ de cada um se resume ao que ele vê, apalpa, ouve, sente, e o que mais captar com seus sentidos diversos. Pois bem, não seria interessante refletir se tua visão acerca da juventude provem justamente do ‘cubo mágico’ dos burgueses e pseudo-burgueses no qual você está inserido e você mesmo pode não querer sair? O fato é que para enxergar estilos de vida e pensamento diferentes da tal ‘juventude perdida’ é necessário quebrar os conceitos e barreiras criadas por aqueles que mais querem que os jovens (e adultos) não passem de crianças preconceituosas e consumistas que atendem de bom grado à moda da semana, seja sertanejo universitário ou boné de x cor, ir para x lugar, etc., ou à ‘moda’ atemporal, refletida na moral do dia-a-dia. Quem são estes a quem interessa a imbecilidade humana? Aqueles que, por isso mesmo, não querem que você tome contato com outras culturas, como a indígena, a punk e a skinhead, dos iogues, culturas tribais. Aqueles que fingem que só existe uma forma de viver. Aqueles que criam e ditam a moral de seu dia-a-dia: com quem você deve e não deve conversar, quem é bom e quem é mau, etc. Os que, para fazer isso, escolhem o que você pode pensar ou não pensar, ver ou não ver. Talvez, meu caro, ao dizer que a juventude se encontra no cubo mágico, quem está dentro do cubo mágico seja você também. Só que para sair desse cubo é necessária uma mudança de postura, de visão de mundo, desprender-se do que os seus ‘superiores’ te mandam acreditar. Se a revolução não está no seu meio, você precisa tomar contato com outros meios afim de ver a revolução.

O mundo de hoje produz intelectuais, visionários, e principalmente pessoas inovadoras e revolucionárias em tremenda abundância, estilos e filosofias de vida das mais absurdamente variadas, desde gente que vive pelada a andar a cavalo por aí, até quem adere as arcaicas práticas xamãnicas, quem opta por produzir todo o alimento que consome, quem gosta de enfeitar seu corpo com as mais extremas formas de ‘body modification’. A lista é interminável. Só que o que passa na TV e circula entre os meio-ambientes conservadores não diz respeito a nada disso, por um simples motivo: quem cria a informação nesse meio é quem domina, e quem domina não quer revolução. Para ver a revolução de hoje, silenciosa, fragmentada, acessível somente fora dos veículos de comunicação tradicionais, é preciso a eliminação da programação de vida ‘nascer-estudar-faculdade-escritório-casa-carro-filhos-netos-doença-morte’, ‘europeu é bom, ameríndio é ruim, indiano é ruim, arborigene é ruim, africano é ruim; consumir é bom, não consumir é ruim'; etc.. De outro modo, quem está a optar por ficar dentro do cubo é você, e boa sorte no terrível cubo.”

Pensando Fora da Caixa

O texto abaixo foi escrito pelo Alexandre da 3H3 com a colaboração da Giovana, da 3B1. É mais um testemunho que um texto. E merece muita, mas muita reflexão mesmo. O link que segue o texto é de uma caricatura que o Alexandre entende completar suas palavras.

“Queria que pudessem sentir o sentimento de impotência deles. Impotentes por não haver mudança, tudo já estratificado, nada que você fizer será o suficiente para mudar sua realidade. Não a sua, a deles. Deles? Quem são eles?

Há diferentes realidades na população, tive a oportunidade de viver duas. Cursei todo Ensino Fundamental em uma escola pública, lá aprendi a ler e a somar, não aprendi a roubar, não bati e nem xinguei minha professora, já que muitos pensam que é esta a rotina destes alunos. Fui escolhido pela minha escola para participar de um projeto, este me proporcionou a mudança. Durante esse tempo que estudei em uma escola pública e noutra particular, pude perceber o abismo entre duas realidades totalmente diferentes. Consegui, entrei no Ensino Médio e, com a convivência, veio a maior percepção das diferenças. Quando um professor diz “Isso os alunos da escola pública não aprendem”, você não tem como negar, é um fato. O que choca é a reação dos alunos, ou a falta dela. Ao invés de pensar em como aprender essa ou aquela matéria poderia fazê-lo passar em uma universidade pública, a resposta àquela frase é o alívio, como se aquele aluno que tem que desistir de seus sonhos por falta de recursos pudesse roubar sua vaga. Aquele aluno que não teve a mesma sorte que tive, aquele aluno que seria eu se o projeto não tivesse me encontrado.

Já tive que ouvir muitos absurdos. Mostras verdadeiras de como algumas pessoas não tem conhecimento das duas realidades. Além da colega que afirmou não saber como uma pessoa pode viver com menos de 8 mil reais mensais, houve alguns argumentos utilizados numa discussão sobre cotas sociais e raciais que também chocaram. Deveria ser uma discussão saudável, já que estudamos em uma das mais renomadas instituições de ensino. Entretanto, fui obrigado a ler (sim, eu sei ler!) “os caras vão entrar na [faculdade] federal e nem vão saber ler”. O desconhecimento da realidade produz estereótipos sobre alunos oriundos de escolas públicas, normalmente, estes são analfabetos e não querem estudar. No entanto, na hora de prestar o vestibular, todos são iguais! “Quer entrar numa universidade? Passe no vestibular!”. Só não sei como é possível alguém sem condições financeiras de pagar a ida e volta de ônibus e metrô, conseguirá comprar livros caros, apostilas de revisão, pagar professor particular, e, além disso tudo, ter professores a postos para te ajudar a qualquer momento. Pois é, como as realidades são diferentes…”

http://goo.gl/hdgZ0