A trégua natalina: um momento mais que surreal

Publicado em 31/03/13

Por André Bolini, 3B1

http://stlouiscatholic.blogspot.com.br/2011/12/christmas-truce-of-world-war-i.html

“Acredito que as pessoas, quando deparadas com situações trágicas ou extremas, deixam suas diferenças de lado e se unem a fim de encarar juntas o desafio em questão. Essa crença me foi reforçada quando descobri um dos acontecimentos mais inéditos do início do século XX. No Natal de 1914, os soldados que lutavam no front ocidental, tanto alemães quanto ingleses e franceses, vivenciaram um dos momentos mais marcantes da Primeira Guerra Mundial: a trégua natalina nas linhas de confronto iniciada pelos próprios combatentes.

Em 28 de julho de 1914, eclodiu na Europa uma guerra esperada para terminar antes do Natal daquele mesmo ano, mas que se estendeu por mais 4 longos e penosos anos, vitimando fatalmente cerca de 20 milhões de pessoas. Começava a Grande Guerra. Após uma série de eventos, as tropas alemãs invadiram a França pelo norte, originando assim o front ocidental. A linha de combate estabelecida, após o início da guerra, modificou-se pouco durante os 4 anos de conflito, apresentando  mudanças significativas apenas ao final da guerra quando a Alemanha já se encontrava decadente.

No entanto, em um front tão violento e mortal como o ocidental, alguns homens presenciaram um verdadeiro milagre de Natal nos dias 24 e 25 de dezembro de 1914. Na noite da véspera de Natal, começaram a ser vistas inúmeras árvores de Natal iluminadas nas trincheiras alemãs. Por ordem do Kaiser Wilhem II, imperador alemão, foram enviados incontáveis pinheiros natalinos às trincheiras teutônicas de modo a garantir, em muitos pontos do front, uma árvore a cada cinco metros ao longo de suas linhas a fim de manter a moral de suas tropas. Logo, podiam-se ouvir músicas natalinas cantadas pelas unidades alemãs e sentir um clima um tanto fraternal invadindo o campo de batalha. Prontamente, os ingleses puderam avistar um soldado alemão aproximando-se de suas trincheiras com uma bandeira branca em mãos.

Na manhã do dia 25, o inacreditável acontecia: os soldados da Entente e das Potências Centrais compartilhavam cigarros e chocolate. Unidos pelos mesmos motivos, a essência humana e solidária presente em cada um e o medo de não mais voltar para casa, inimigos que se enfrentariam no dia seguinte desfrutavam de partidas improvisadas de futebol e se deliciavam com refeições conjuntas que contavam com cotas extras de pão para o Natal. No entanto, pouco duraria a tão surreal situação, uma vez que logo tocariam os apitos dos oficiais que, estupefatos diante da cena, ordenavam o fim da trégua estabelecida pelos próprios soldados com seus inimigos, quem deveriam enfrentar e matar ao invés de divertirem-se em sua companhia. Como represália, muitos foram fuzilados para servirem de exemplo para suas tropas, tendo estas, inclusive, toda a correspondência que relatasse o caso censurada.

E assim ecerrou-se um dos mais memoráveis momentos da Primeira Guerra Mundial: um momento de humanidade em meio ao mais desumano cenário.”

 

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