Eric Hobsbawm

Publicado em 09/10/12

Ao entrar para dar aula na 3H3 fui surpreendido com um comunicado do meu aluno Ulysses. Professor, Hobsbawm morreu! O que me surpreendeu não foi a notícia da morte em si, pois sabia que há um bom tempo o Historiador Eric Hobsbawm padecia num leito hospitalar, mas sim, um jovem de 17 anos se interessar em dar uma notícia como esta. Hobsbawm além de Historiador, que não é pouca coisa, foi um dos mais importantes pensadores do século XX. Eric Hobsbawm colocou-se por suas obras e por suas ações no mesmo patamar dos grandes pensadores da humanidade. Exemplo da amplitude de suas análises, Hobsbawm em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, relacionou futebol com globalização.

FOLHA – No ensaio “Nations and Nationalism in the New Century” (nações e nacionalismo no novo século), o Sr. lamenta o fato de que as seleções de futebol nacionais estejam perdendo força para os chamados superclubes internacionais. O Sr. não acha que o nível do esporte, por conta disso, tenha melhorado?
HOBSBAWM –
O futebol sintetiza muito bem a dialética entre identidade nacional, globalização e xenofobia dos dias de hoje. Os clubes viraram entidades transnacionais, empreendimentos globais. Mas, paradoxalmente, o que faz o futebol popular continua sendo, antes de tudo, a fidelidade local de um grupo de torcedores para com uma equipe. E, ainda, o que faz dos campeonatos mundiais algo interessante é o fato de que podemos ver países em competição. Por isso acho que o futebol carrega o conflito essencial da globalização.
Os clubes querem ter os jogadores em tempo integral, mas também precisam que eles joguem por suas seleções para legitimá-los como heróis nacionais. Enquanto isso, clubes de países da África ou da América Latina vão virando centros de recrutamento e perdendo o encanto local de seus encontros, como acontece com os times do Brasil e da Argentina. É um paradoxo interessante para pensar sobre a globalização.
www.folha.com.br/072715.

Os livros de Hobsbawm abordam desde a História Social do Jazz até temas como Globalização, Democracia e Terrorismo. Os mais marcantes para mim foram A Era dos Extremos; A Era das Revoluções-1789 a 1848; A Era do Capital -1848 a 1875 e A Era dos Impérios – 1875 a 1914.

Na festa literária de Paraty (FLIP) de 2003, além de encantar todos os presentes com suas análises e sua impressionante humildade, Hobsbawm ao final de sua apresentação ainda contou a seguinte piada sobre o capitalismo. “três milionários estão sentados em um bar; depois de beber algumas cachaças, começam a se empolgar e cantam a música mais marcante de sua juventude: a Internacional Comunista.

 Roberto Nasser

 

 

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