Hiroxima e Nagasaki em São Paulo

Entre os dias 11 a 21 de setembro de 2012 será realizado no Instituto de Psicologia da USP, Av. Prof. Mello Moraes, nº1721, Cidade Universitária o evento “Hiroshima e Nagasaki em São Paulo:testemunho, inscrição e memória das catástrofes. O evento terá entrada gratuita e, por meio de 30 painéis, cedidos pelo Museu Memorial da Paz de Hirosmima, contará um pouco do que foi esse acontecimento histórico.

Prof. Roberto Nasser

Botsuana: uma exceção na África Subsaariana

O texto desta semana é do Fernando Al Assal, da 3E1. Ele coloca em questão  se a herança do imperialismo na África é tão insuperável quanto se supõe. Excelente tema e excelente texto.

“Muito se fala na África, em especial a sul do Saara, como um conjunto de países caóticos, pobres, governados por ditadores autoritários e com população faminta, doente e violenta. Geralmente todo esse mal é atribuído ao imperialismo europeu, muitas vezes tido como incurável, mas não faz parte do senso comum que um dos países que mais cresceu desde 1965 (período em que PIB per capta aumentou em 16 vezes, passando do brasileiro e se aproximando do chileno) fica nessa região do globo. Não é a emergente África do Sul, sim seu vizinho setentrional – a Botsuana.

É natural questionar o que fez esse país, com 84% de seu território no quase inabitável deserto do Kalahari, entrar nessa relativa prosperidade, enquanto seus vizinhos experimentam uma miserável estagnação. Analisado a história da nação e comparando-a com a de outros países africanos, obtêm-se respostas interessantes.

A sociedade pré-colonial dos Tswana tem aspectos interessantes e pouco comuns na maioria dos grupos bantos – os chefes tribais não eram autoritários, e em assembleias (kgotlas), discutiam com homens adultos questões de importância pública, constituindo uma protodemocracia. Habitavam terras áridas que só foram anexadas ao Império Britânico por interesse estratégico, o que não significa que não sofreram graves problemas com o colonialismo – os impostos que deveriam ser pagos aos britânicos em libras esterlinas tiveram um impacto profundo na economia local de subsistência, fazendo que, em 1943, 50% dos homens adultos do Protetorado de Bechuanalândia (atual Botsuana) migrassem para a África do Sul em busca de trabalho, o que trouxe consequências sociais ruins óbvias.

No pós-guerra, seguindo a tendência de descolonização, surge Botsuana independente, o terceiro país mais pobre do mundo. O bom governo pós-colonial, democrático e transparente, foi determinante para o relativo sucesso da nação. Consciente de sua pobreza, o governo limitava os gastos, não emitindo moedas loucamente a ponto de o dinheiro local ser usado como papel higiênico, como ocorreu no Zimbábue de Robert Mugabe – Botsuana permaneceu sem exército até 1977, o que permitiu acúmulo de recursos e evitou a corrupção.

Além disso, outro ponto que deve ser mencionado é que as instituições culturais tradicionais do povo Tswana foram, de certa forma, mantidas, sem nenhuma brusca tentativa de “modernização”, como foi comum no resto da África subsaariana, onde esforços foram feitos para cortar elos com o passado pré-colonial, tido como inferior. Tal medida deu legitimidade à constituição e ao sistema político adotados, de inspiração britânica e coerentes com a protodemocracia dos kgotlas.

A liberdade foi de grande importância para a prosperidade de Botsuana. O país sempre aceitou imigrantes e refugiados de nações vizinhas, mergulhadas em conflitos, sem quaisquer restrições étnicas ou culturais, algo que foi extremamente saudável para seu crescimento. A liberdade econômica também foi importante – enquanto outros países africanos viam em Marx e Lênin o caminho para o sucesso, realmente acreditando que conseguiriam prosperar separados do capitalismo ocidental, Botsuana foi se integrando ao mercado mundial, com sucesso catalisado pela estabilidade e descoberta de diamantes em seu território. Isso também livrou o país da ineficiente ajuda ocidental, que apresenta soluções pouco pragmáticas, muitas vezes ignorando a simples integração ao capitalismo global.

A conclusão disso tudo não é que Botsuana é algum tipo de utopia africana – o país ainda enfrenta graves problemas, sendo o mais notável a epidemia da AIDS, que atinge um em cada seis haabitantes. Mas seu sucesso relativo é inegável, desmentindo a crença de que o imperialismo europeu é uma cicatriz incurável. O apego à democracia, às instituições culturais tradicionais e à liberdade econômica hão de servir como lições às nações pobres do terceiro mundo.”

Referências/Para saber mais:

  1. en.wikipedia.org/wiki/Botswana
  2. Explaining Botswana’s Success: The Critical Role of Post-Colonial Policy – Scott A. Beaulier
  3. Is Botswana Exportable? – Scott A. Beaulier
  4. Botswana’s Future: Modeling Population and Sustainable Development Challenges in The Era of HIV/AIDS – Warren C. Sanderson, Molly E. Hellmuth, e Kenneth M. Strzepe
  5. http://www.youtube.com/watch?v=7071wstBp1k

50 anos dos Rolling Stones

Eu ainda lembro quando eles fizeram vinte anos. Pois é. Cresci ouvindo estes caras e, séculos depois, ainda gosto muito deles.

Nestes cinquenta anos os Stones fizeram algumas das melhores coisas que o Rock produziu, foram presos várias vezes, envolveram-se com drogas, deram shows memoráveis, escândalos incontáveis, foram ao fundo do poço e subiram às alturas, ajudaram a mudar os padrões sociais e envelheceram. E como! Todos em torno dos setenta anos. É possível fazer Rock aos setenta? Eles provam que sim, como provaram aos sessenta, aos cinquenta, quarenta, trinta… Ainda são bons? Já foram muito melhores, a melhor banda do mundo, entre 1969 e 1974, quando fizeram ao menos três álbuns  – “Get Year Ya Ya’s Out”, “Sticky Fingers” e “Exie on Main Street” – que teimam em não envelhecer.

Mas, se me perguntassem qual sua obra mais importante em todos esses anos, eu diria que os Stones romperam uma barreira perversa: a da idade. Eles mostraram que o Rock não é exclusivo para adolescentes. Com isso, talvez até sem se dar conta, e uma ironia para quem nasceu desafiando os mais velhos, os Stones transformaram o Rock em uma ponte entre as gerações. Fantástico!

Ouça “Brown Sugar” ao vivo em 1972

Crédito da foto: http://thedailypipe.blogspot.com.br/2010/06/rolling-stones-alive-and-rollin-from.html

Hiroshima

A cerca de um mês e pouco atrás, eu recebi a seguinte mensagem: “sou sua aluna de biológicas, do terceiro ano, 3B4, Amanda Mitsue( 03). Eu escrevi um texto curto sobre a bomba de Hiroshima, não porque tenho parentes mas porque o museu na cidade é muito chocante e emocionante, senti-me inspirada para escrever sobre isto.”

Impossível negar…

No final da Segunda Guerra Mundial, em 6 de agosto de 1945, o presidente Truman dos EUA ordenou que fosse lançada a “Little Boy”, a bomba atômica em Hiroshima, a fim de forçar o Império Japonês a assinar o armistício. Foi vitorioso. A bomba de 60kg de urânio teve um alcance de 2km de raio, que cobriu todo o centro da cidade. A fissão nuclear gera, a partir de poucos quilos de urânio, uma imensa explosão de energia e radioatividade; além disso, forma-se a “mushroom cloud”, que é uma nuvem formada por poeira tóxica que queima e ferve o que vier pela frente. A partir dessa nuvem, forma-se com o vapor d’água, do rio principal da cidade, uma chuva preta, que continha grande quantidade de poeira radioativa, contaminando áreas mais distantes do hipocentro. ‘A chuva preta que queimou meu estômago pelo menos aliviou a sede, mesmo que agravasse as minhas queimaduras’, disse um sobrevivente. Inúmeros depoimentos como este relatam como o céu azul daquele dia se tornou chuvoso de óleo pesado (chuva preta), como os corpos de quem se jogava no rio para aliviar o calor cozinhavam e como o sofrimento e calor tomaram conta das mentes e esqueletos que restavam. Após o incidente, em menos de 4 anos, o solo infértil, as cinzas das casas ganharam vida novamente, remanesceu apenas um prédio daquele dia, a prefeitura, praticamente toda destruída. Não é necessário citar o número de mortos,de feridos, de quem desenvolveu doenças, etc. Dá pra imaginar os efeitos da atrocidade. Muitos sobreviventes desenharam o acontecimento que pode ser visto aqui: http://www.pcf.city.hiroshima.jp/virtual/VirtualMuseum_e/visit_e/vist_fr_e.html . Espero que assim como o Holocausto, a bomba sirva de exemplo (para sempre!) para que nada como isto ocorra novamente. Há um memorial/museu da Paz da cidade com fotos, explicações e esculturas que podem ser vistas, em inglês pelo site http://www.pcf.city.hiroshima.jp/virtual/VirtualMuseum_e/visit_e/vist_fr_e.html  Este museu tem uma parte em que simula o terceiro minuto após a bomba, há um corredor muito quente em que você pode ver bonecos derretendo e pedaços da destruição causada.”

 

 

Machine Head faz 40 anos.

Este post é antológico: pela primeira vez  o “Histo é Blog” apresenta um texto de um professor de fora da cadeira de História, o professor de matemática Gleney Lolo, que dispensa qualquer apresentação. E que texto! Ele trata dos quarenta anos do Machine Head,  o melhor disco do Deep Purple.  Valeu Gleney, obrigado, e seja bem vindo a este espaço que é cada vez mais de todos!

“O Deep Purple é um conjunto de rock que fez muito sucesso nos anos 70 e Machine Head é o mais conhecido e, em minha opinião, o melhor álbum da banda. O Long Play (LP) foi gravado na cidade de Montreaux, na Suíça, com a utilização de um estúdio móvel de gravação dos Rolling Stones, pois as instalações de um hotel que utilizariam para a gravação pegou fogo e foi justamente esse incêndio que inspirou a faixa Smoke On The Water cujos ‘riffs’ são conhecidos por todos que aprendem a tocar guitarra; confira o som em http://www.youtube.com/watch?v=zUwEIt9ez7M. Você já conhecia esse “som”? Essa música já foi gravada dezenas de vezes por diversas bandas como Rainbow e Black Sabbath no período em que o vocalista Ian Gillan fez parte desses conjuntos. Essa música também aparece no jogo Guitar Hero. Outra música também muito conhecida é Machine Head que dá nome ao disco e cujo solo de guitarra de Blackmore é um dos meus prediletos. Você pode curtir todo o álbum em http://www.youtube.com/watch?v=rHX41wUyeyk.
O álbum atingiu o primeiro lugar nas paradas britânicas após uma semana de seu lançamento e nos EUA ficou muito bem colocado por mais de dois anos. Algumas revistas especializadas colocam Machine Head entre os 100 álbuns mais influentes de todos os tempos. É um clássico do rock. Quem gosta desse tipo de música precisa e merece conhecer.”