Quando um é maior que 36 milhões: sobre John Boyne

Publicado em 17/06/12

Este ano as turmas de Biológicas tem se revelado assíduas frequentadoras deste Blog. Mais um texto da 3B2 – recordista de posts. Hoje o texto é da Vitória Koga (48), que escreveu sobre John Boyne, o autor do livro “O Menino do Pijama Listrado”.

“John Boyne tem o incrível talento de pessoalizar acontecimentos históricos. Suas obras conseguem comover e cativar de uma maneira única os momentos que marcaram a história. Ele tranforma o todo na parte, torna milhões de vítimas em uma pessoa, com uma trajetória, com uma origem,com uma família,com sentimentos. O escritor trata-as como gente como nós, e não como uma simples estatística, um número como outro qualquer, afinal,o que são 36 milhões quando comparados a singularidade da existência de cada ser humano ? Foi exatamente  isso o que ele fez em  O menino do pijama listrado, ao invés de generalizar, se focou mais em um menino judeu (Shmuel)  e em um senhor que era médico, mas realizava o trabalho de descascar legumes e vegetais (Pavel) e suas relações com uma família alemã cujo pai era um militar que estava diretamente ligando às atividades de um campo de extermínio. Boyne nos lembrou também que nem todos os alemães concordavam com os delírios dos nazistas ou sabiam o que realmente acontecia em campos de concentração, e que muitos eram inocentes e não entendiam o ódio sem  razão contra os judeus, a exemplo de Bruno, um dos protagonistas, que era o filho da família alemã citada anteriormente, e que se relacionava normalmente com Shmuel e Pavel, de sua mãe, e de sua avó. O escritor mostra também o ensino nacionalista que era dado às crianças, a grotesca forma com que os militares nazistas tratavam os judeus e como eles pressionavam a sociedade a olhá-los de outra forma e o fato de que fisicamente não existiam traços que caracterizavam um suposto puro descendente do povo ariano ou mesmo um judeu. esumindo, Boyne consegue trazer acontecimentos que aparentam ser distantes a nossa realidade. Com isso, a ideia de que todos nós somos iguais é reforçada e surge a possibilidade de se analisar a Guerra mais humanizadamente e menos didática, teórica, causando um impacto ainda maior. Assim, acredito que as pessoas passam a refletir mais sobre o conflito que foi causado por uma postura chauvinista, fazendo com que elas valorizem o fim do preconceito que ainda reside entre nós de diversar formas, não menos injustas do que as do contexto da obra. ostaria de aproveitar a oportunidade e recomentar a leitura do livro O palácio de Inverno, do mesmo autor, que é um romance que tem com um de seus tempos a Revolução Russa.”

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