Rasputin e a Revolução Russa

Toda vez que eu trabalho com o tema Revolução Russa, sempre tem alguém que acaba falando sobre a história da Anastácia, aquele filme da Disney. Outro dia eu estava na 3B1 e de novo veio o assunto. Como sempre, para não destruir os sonhos infantis de ninguém (não, o morceguinho não existiu…) não falei sobre a Anastácia, apesar dos pedidos insistentes. Aí a Isabela Reis, que devia há muito um texto para este blog, resolveu escrever sobre outro personagem (menos simpático) da história, o Rasputin e sua ligação com a Revolução. Bem, depois de trabalhão, cortando daqui e dali, ficou pronto. Boa leitura.

 

“Grigoriy Yefimovich Rasputin nasceu em 1869, em Tobolsk, na Rússia. Pelas fotos, dá pra ver que só sua aparência já tem um ar meio místico: uma barba enorme com um cabelo liso e um pouco comprido. Navegando entre links, encontrei um site de ocultismo que considera Rasputin um bruxo e cita diversas histórias para confirmar o fato. Vale lembrar que não sei a procedência do site e nem se é confiável, mas de qualquer modo, as histórias são no mínimo interessantes. A primeira história foi a que criou sua fama entre os Czares. Anya Vyrubova, grande amiga da Imperatriz da Rússia da época, sofrera um acidente de trem que a deixara em coma, acabando com as esperanças dos médicos de salvá-la. Como último recurso, Rasputin foi chamado. Ele, então, teria conseguido curar Anya apenas por chamar seu nome diversas vezes enquanto segurava sua mão. A segunda história é uma bastante conhecida. Alexei Romanov, filho do Czar Nicolau II – e, SIM, irmão da Anastásia!- sofria de Hemofilia, doença caracterizada pela incapacidade do organismo do portador de controlar sangramentos. Ele passava constantemente por crises hemofílicas, e, aos 8 anos, teve sua pior crise. Alexei machucou o joelho enquanto viajava de navio, mas o médico da família não observou grandes complicações. Algum tempo depois, porém, o menino começou a sentir fortes dores, e sua situação foi piorando, ao ponto em que teve que ser amarrado à sua cama e amordaçado para que não gritasse de dor. Pensava-se que estava à beira da morte. Quando o navio ancorou, a tripulação recebeu um telegrama (inesperado) de Rasputin, que já estava acostumado a tratar o menino, dizendo que sabia que Alexei estava doente, e que, no entanto, ficaria bem em pouco tempo, não havendo risco de morte. Diz-se que no dia seguinte ao telegrama, Alexei acordou curado. Expostos estes acontecimentos, e deixando os misticismos de lado, é preciso dizer que Rasputin foi um homem realmente importante na época, seja por seu envolvimento com a família Romanov, seja por seus ares de bruxo. É fácil encontrar na internet diversos outros acontecimentos inexplicáveis que dizem respeito a Rasputin. Eu, particularmente, não acredito em todas estas histórias e ocultismos ligados a ele. Mas é sempre interessante ficar sabendo dessas crenças. Dá um tempero a mais ao estudo da Revolução Russa.”

Malvinas 30

Há 30 anos, no dia 2 de abril de 1982, os argentinos invadiram as ilhas Malvinas ou Falklands para os ingleses. Esta ação foi a mais trágica na centenária disputa pela região. A guerra provocou o nacionalismo de ambos os países e, no caso argentino, após um período de entusiasmo, (100 mil pessoas saíram às ruas em Bueno Aires para apoiar o ato da ditadura militar) a derrota trouxe a realidade de volta à Argentina. O povo saiu às ruas gritando “Galtieri, borracho/mataste a los muchachos“. Do outro lado do Atlântico, o nacionalismo e a vitória garantiu a Margaret Thatcher a reeleição ao cargo de premiê britânico.

Passados 30 anos, os Kelpers (habitantes das ilhas) seguem sua vida e o modo britânico de ver a vida. A Argentina, esquecendo-se das lições da História, volta a reivindicar a posse das Malvinas com um populismo diplomático, por meio da presidenta Cristina Kirchner. Os ingleses, via declaração do premiê britânico, David Cameron, afirmaram que a Guerra das Malvinas foi um “ato de agressão” e que a ditadura argentina tentou “roubar a liberdade dos habitantes das ilhas”. Trinta anos depois, a História deste conflito vai aos poucos sendo revelada. Como o plano argentino de afundar navios ingleses na base de Gibraltar ou a preocupação brasileira (governo general Figueiredo) com uma aproximação soviética argentina e com uma possível ação militar britânica além das ilhas, ou seja, em continente sul americano. Como eu sempre digo, “a História é um prato que se saboreia frio”.

Para saber mais: http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/v/guerra-das-malvinas-completa-30-anos/1886149/

Roberto Nasser

Gente diferenciada

O texto “Gente diferenciada”, da autora Judith de Brito, mãe do aluno Mateus  Brito, do 6º ano E, toca num assunto muito importante nos dias atuais: a questão do preconceito. Tratando desse assunto a partir  do seu próprio cotidiano, a autora nos leva a refletir sobre essa questão. Boa leitura !

Profª Daniela, 6º ano do E. Fundamental 

“Gente diferenciada

Recentemente, logo pela manhã, desci pelo elevador de serviço do meu prédio, paramentada de executiva, a caminho do trabalho. Ao entrar, dei bom dia a uma mulher de meia idade, vinda de algum andar superior ao meu. Ela respondeu efusivamente e, ao contrário da “conversa de elevador” de sempre – algo sobre o tempo, o calor ou o frio -, fez, toda sorridente, um comentário inédito: “Nossa, a senhora me tratou bem, até me cumprimentou”. Não entendi o que ela queria dizer e fitei-a com curiosidade. Pelo uniforme, tratava-se de uma diarista ou empregada doméstica, uma mulher de belos traços e olhos muito azuis. Estivesse bem vestida e tratada, passaria fácil por madame.

Ela então me explicou: “Tem pessoas aqui no prédio que ignoram a gente, e não respondem quando damos bom dia”. Diante de minha surpresa e, talvez, constrangimento, ela completou: “Sem contar o dia em que peguei o elevador social, porque o de serviço estava quebrado, e um senhor que desceu junto foi reclamar com o zelador…”

Aquela mulher tinha razão. Lembrei-me das caras de surpresa de alguns moradores numa manhã em que encontrei com Elisa, minha assessora doméstica, na portaria do prédio – ela chegando e eu saindo pro trabalho – e nos cumprimentamos como sempre, com um beijo e um papo rápido a respeito de sua elegância, vestida com uma roupa que eu havia lhe dado de presente. Parêntesis: Elisa é uma mulata quarentona, bonita e muito, muito simpática, dentes alvos num sorriso de orelha a orelha. Mas o melhor dela é o bom humor eterno. Pensando friamente, Elisa teria muitas razões para estar em permanente TPM: vários filhos para criar, horas de ônibus e metrô para ao trabalho e voltar para casa, perspectivas não exatamente animadoras etc. Mas ela deve ter sido privilegiada pela natureza com uma extraordinária capacidade de produção de serotonina, o neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade. Depois de horas no ônibus, ela é capaz de chegar para trabalhar, linda e loura num salto alto, comentando sobre o sucesso que fez, como se sentiu observada e atraente. E ao chegar em casa, à noite, encontro seus bilhetinhos na bancada da cozinha: “Fiz o serviço  com muito amor. Jesus te ama”. Uma lição de vida, a Elisa, dessas que fazem bem à alma, que nos fazem acreditar na humanidade. Bem diferente de alguns (poucos, ainda bem!) que, do alto de sua condição confortável, exibem seu mau humor – e seu vergonhoso preconceito – logo cedo, no elevador. 

Nossa sociedade estratificada inclui bolsões de um conservadorismo desumano, constrangedor. São pessoas que, por disporem de alguns recursos materiais ou status profissionais, de alguma forma se acham superiores aos menos providos ou, genericamente, aos que são diferentes, ou aos que têm opiniões diferentes. A Internet tem dado vazão a manifestações preconceituosas quanto a migrantes, gays e outras minorias.

Se não por observância aos já consagrados princípios iluministas, que rezam sermos todos iguais, deveriam prevalecer então os ainda mais antigos preceitos religiosos: nosso dever de amar uns aos outros – ou ao menos, respeitar. Como disse Guimarães Rosa, esse é um mundão velho sem porteira. Nele, deveríamos nos empenhar em criar pontes, não barreiras.

Judith de Brito”