A Bruna foi a Israel e não viu o socialismo.

Publicado em 17/03/12

Há aproximadamente um mês, quando eu estava tratando dos socialismos com as turmas de biológicas e exatas, a Bruna, da 3B2, me escreveu uma mensagem contando sua viagem a Israel, e o que ela presenciou do que sobrou de uma das experiências socialistas mais interessantes produzidas no século XX: os kibutz, comunidades agrícolas de caráter coletivo que começaram a ser fundadas no início do século XX por judeus europeus socialistas (geralmente oriundos da Europa Oriental) que imigravam para o Oriente Médio em busca de paz.

O que a Bruna viu? Acompanhe no texto abaixo.

“Em pleno século XXI, com a presença constante de grandes empresas como a Apple e a Coca Cola Company em nossas vidas, o capitalismo dinâmico e globalizado e sua ética parecem reinar sobre tudo e todos. O comunismo e o socialismo parecem sonhos distantes, assuntos apenas de aulas de história, mas, apesar de enfraquecidos, não foram deixados de lado por completo e, longe dos olhos da maioria, conseguem se desenvolver, ainda que de forma limitada.  Estive em Israel nessas férias, e pude ver de perto um kibutz. Influenciados fortemente pelo sionismo, os kibutzim são comunidades socialistas rurais baseados na propriedade coletiva, igualdade e cooperação entre os membros. A quantidade de kibutzim está diminuindo cada vez mais, e os que continuam estão assimilando parcialmente o capitalismo: algumas casas dentro do kibutz são alugadas para alunos de faculdades próximas ou executivos; há moradores que estão lá porque cresceram no local e não querem deixá-lo, mas não participam tanto da vida em comunidade e trabalham na cidade; as casas são compradas e quando seu dono morre, a casa é de posse da família, e não do kibutz, como antigamente; antes, um menino que comprasse uma bicicleta tinha que dividi-la com os outros moradores, o que não acontece agora, etc. Além do kibutz, também conheci um moshav, que é um condomínio, parecido com Alphaville, onde todos os moradores são sócios de uma cooperativa.  Dentro dele há uma escola, uma sinagoga e um centro cívico e a vida em comunidade é bem intensa. Não sei se a proposta dos moshavim é seguir um socialismo menos intenso, mas foi essa a impressão que tive.  Cheguei da viagem muito impressionada, já que tinha uma imagem preconceituosa do socialismo e, para mim, quem era socialista ou era hippie, ou revoltado, ou era forçado a acreditar em um ideal que não era o próprio. Foi chocante ver que a vida no moshav é bem parecida com a nossa, e ao mesmo tempo triste ver a decadência dos kibutzim, que um dia ajudaram a manter viva a esperança de uma série de judeus russos vítimas dos pogroms. Talvez o socialismo realmente seja utópico e fadado a desaparecer.”

 

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