O papel dos líderes na História

Após vencer os terríveis nazistas em Berlim, em uma batalha de (apenas) quatro horas de duração no “Battlefield 1942″, o Vithor da 3B3 (também conhecido como Pônei) conseguiu inspiração* para fazer  uma reflexão que eu achei bem aporpriada.

“Ao se refletirmos sobre a importância dos grandes líderes na História, deve-se levar em conta personalidades como Napoleão, Martin Luther King ,Gandhi, Hitler, Nelson Mandela e, até mesmo, no próprio Lula. Pode-se concluir que todos eles tinham algo em comum: o poder da oratória. Levando em conta todo o contexto histórico em que se inseriram essas grandes personalidades, é possível afirmar que todas elas traziam ao povo a segurança em seus discursos. Segurança ao que se refere de lutar por algo. Por exemplo: Martin Luther King, ao presentear a humanidade com o discurso “I have a dream”, não só defendeu os direitos dos negros, a igualdade entre as “raças” e tudo mais, mas também deixou claro, a todo negro que se sentia intimidado pelo tratamento recebido por parte dos brancos, que ele não estava sozinho na luta por um mundo mais justo. Até mesmo Hitler, que mais do que um fascista imoral, foi um tirano com seu próprio povo “Ariano”,  fez grande parte da Alemanha renunciar aos seus direitos e achar que aquilo que ele fazia era o melhor para todos. Querendo ou não, convencer toda uma nação de que dar sua vida por um ideal furado como o Nazismo, não é tarefa fácil… Mas os alemães tinham segurança no discurso daquele homem. Ou seja, certo ou errado, o povo sempre procura em seus líderes a segurança de que tudo pode ser melhor. Então cabe a pergunta, até quando isso pode ser saudável para a humanidade? Será que sempre irão surgir Mandelas, Kings  e Gandhis? Ou estão por vir outros Hitlers ou Mussolinis?”

(*Bem, em verdade a inspiração do Vithor partiu da aula que tivemos sobre a luta dos negros nos Estados Unidos por seus  direitos civis , o que me deixa com uma agradável sensação de dever cumprido.)

Há 50 anos. Legalidade!

 Quando Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente, no dia 25 de agosto de 1961, jogou o país numa crise política, militar e institucional. Os ministros militares, ecoando a vontade de boa parte das lideranças das forças armadas, não aceitavam a posse de João Goulart, que, quando ocorreu a renúncia de Jânio, estava em visita oficial a China Comunista.  A resistência ao golpe veio do sul. O governador Leonel Brizola, amparado pela população gaúcha e pelo comandante do III exército, sediado em Porto Alegre, general Machado Lopes, por 14 dias, lideraram o movimento conhecido como Rede ou Campanha da Legalidade.  Transmitindo do porão da sede do palácio do governo do Rio Grande do Sul para uma vasta rede de emissoras de rádio, assim Brizola se pronunciou no dia 27 de agosto de 1961. “O Governo do Estado do Rio Grande do Sul cumpre o dever de assumir o papel que lhe cabe nesta hora grave da vida do País. Cumpre-nos reafirmar nossa inalterável posição ao lado da legalidade constitucional. Não pactuaremos com golpes ou violências contra a ordem constitucional e contra as liberdades públicas. Se o atual regime não satisfaz, em muitos de seus aspectos, desejamos é o seu aprimoramento e não sua supressão, o que representaria uma regressão e o obscurantismo(…).

O resultado da resistência foi a ‘Solução de Compromisso” na qual Jango assumia a presidência do Brasil, mas aceitando um sistema parlamentarista. O golpe contra a democracia ficou para 1964.

Jânio 50 anos

Diferentemente dos dias de hoje, há 50 anos o Brasil vivia um turbilhão político institucional decorrente da renúncia do presidente Jânio Quadros. Populista, verdadeiro artista na arte ilusionista na política, Jânio Quadros após 7 meses de governo deixava mais um de seus inúmeros bilhetinhos avisando ao povo que abandonava o cargo de presidente. O resultado foi uma crise política, militar e institucional sobre a posse ou não do vice-presidente João Goulart. A partir de então, o país percorreu os caminhos da História que desembocaram no golpe de 64. A lição que fica é que, apesar de existir hoje um Estado democrático, sempre há os salvadores da pátria de plantão, prontos para oferecer soluções milagrosas, demagógicas e populistas contra os males que afligem o país.

Roberto Nasser

O Muro de Berlim

A construção do Muro de Berlim completa 50 anos hoje, dia 13 de agosto de 2011. Iniciado na madrugada do dia 13 de agosto de 1961 pelo governo da Alemanha Oriental, com a poio da União Soviética e sob os olhares atônitos dos berlinenses, o Muro foi o maior símbolo da bipolaridade que o mundo vivia naqueles tempos de Guerra Fria.

O Muro não foi apenas uma obra para a autoafirmação da Alemanha Oriental, estado satélite da União Soviética, mas foi erguido  para salvar este país de uma crise anunciada,  já que Berlim havia se tornado uma porta aberta para o Ocidente e a fuga de mão de obra qualificada (cerca de 2 milhões de pessoas entre 1951 e 1961), já estava afetando negativamente sua economia.  Ele cortava a cidade de Berlim em duas partes por aproximadamente 155 quilômetros no sentido norte-sul e ao redor de sua  parte ocidental,  não foi construído de uma única vez, mas ao longo de vinte e oito anos sem interrupção. Quando foi derrubado, em 1989, era um imenso complexo de segurança – que incluía campos minados, longas cercas de arame farpado, torres de guarda, cercas elétricas e outros dispositivos – que consumia grande parcela do PIB da Alemanha Oriental. Tudo isso para evitar que as pessoas fugissem em busca não só de melhores condições de vida, mas de liberdade. Centenas de pessoas foram mortas por isso, tentando escapar das privações e da constante vigilância de um  Estado opressor.

Infelizmente, passados 50 anos, o mundo ainda não está livre de muros, como o da fronteira entre o México e os Estados Unidos, ou o que separa Israel da Cisjordânia, ou  ainda, o que separa Índia e Paquistão. Ao contrário do que seus idealizadores imaginam, estes muros não trazem paz e segurança, mas apenas semeiam ódio e rancor, como o Muro de Berlim bem comprovou.

Pérsio Santiago

O site brasileiro da emissora de televisão alemã Deutshe Welle publicou hoje  uma página  especial, bem completa e precisa, sobre o Muro. O link segue abaixo.

http://www.dw-world.de/dw/0,,12345,00.html

O lixo do século XX

No dia 26 de julho a Folha de S. Paulo publicou um artigo sobre o extremista (ou seria bandido?) que matou várias pessoas na Noruega há duas semanas. Segundo o jornal, o sujeito havia publicado um manifesto qualificando de catastrófico o “modelo de mistura de raças” (sic) adotado no Brasil, pois “a institucionalização da miscigenação resulta, segundo ele, em altos níveis de corrupção, falta de produtividade e em um conflito eterno entre várias culturas competitivas”

Estas palavras certamente causam indignação em qualquer ser humano consciente. Mas a indignação maior vem do fato de que muitos brasileiros pensam desta forma. Acredito que a miscigenação étnica e cultural é o que o Brasil tem de melhor e ainda bem que somos reconhecidos por isso! E, para o azar dos simpatizantes do fascismo entre nós, a miscigenação é uma tendência inexorável.

Por outro lado, diante desta demosntração explícita de nazismo, é de se perguntar se os europeus não aprenderam nada com os horrores proporcionados pelos nazistas na Segunda Guerra e pelos sérvios nas guerras balcânicas da década de 1990…

Pérsio Santiago