O Preço da Existência

O texto abaixo foi enviado pela Stephanie da 3E1. O tema dispensa comentários.

“Qual é o preço à ser pago por um povo ou país por sua existência? O senso comum diria que acordos diplomáticos, benefícios comerciais, indenizações e apoio político são suficientes. No entanto, após refletir sobre o assunto, cheguei à conclusão de que a humanidade não vê estes itens como suficientes.

 Dia 2 de maio foi marcado pelo Yom Hashoá (ou dia do Holocausto), no qual são lembrados aqueles que morreram durante o mesmo (tanto judeus, como ciganos, deficientes, negros, roma*, homossexuais e dissidentes políticos).  A aniquilação em massa efetuada pelos nazistas é só mais um exemplo de como, para alguns, o preço da existência é elevado, pago em milhões de vidas perdidas na luta por reconhecimento,  espaço, igualdade e liberdade. Indianos foram assassinados na luta pela independência do Reino Unido, líbios estão sendo massacrados pelo governo ditatorial que os cerceia suas liberdades e direitos, tibetanos morreram na luta pela separação do Tibet da China, entre outros exemplos não menos importantes. A pergunta que proponho a quem lê é a seguinte: na sociedade atual, é aceitável o número de vidas perdidas na luta pela existência? Será impossível a existência e a coexistência?”

*Grupo étnico europeu, comum, embora incorretamente, chamado de cigano,  originário do subcontinente indiano.

A História no teatro

Semana passada o Lucas Bulhões da  3H3 me mandou uma mensagem “cheia de dedos” sobre uma peça de teatro que ele assistiu e, pelo jeito, ficou encantado. Bom, repasso a dica para quem interessar.  Pelo menos a sinopse é legal. Maiores informações com o próprio. 

“Astros, Patas e Bananas” não atrai pelo nome. Pudera, três nomes soltos não querem dizer nada sobre a peça, que é constituída de alegorias dinâmicas que necessitam certo conhecimento histórico para serem compreendidas. O título infeliz enumera símbolos de algumas dessas alegorias, que sob o contexto adequado surpreendem: rivalidades europeias, imperialismo e supremacia norte-americana (entre muitos outros) são tratadas de modo estereotipado, para melhor absorção do sentido. É importante notar que os personagens falam cada um sua língua e por isso o espetáculo diverte instigando quem o assiste a decifrar cada alegoria, detalhada em cada movimento. Aliás, o movimento na peça foi introduzido por Andreia Nhur, que busca a expressão por meio da dança contemporânea, de modo não cansativo e ágil.

Teatro Commune – Rua da Consolação, 1218
Entrada: 5 reais
Até 22 de maio, sábados às 21h e domingos às 19h
duração 50 minutos “

A Destruição do “deus”

Mais um texto do Ricardo Jonhston, da 3H3. O episódio Bin Laden sob o ponto de vista de um anarquista.
“Por que os Estados Unidos se empenharam tanto na caça de um homem como Osama Bin Laden? Será que tanto ódio foi por causa da morte de 3.000 americanos mortos no histórico atentado de 11 de setembro de 2001? O motivo desta caça doentia, que trouxe a ocupação do Afeganistão justificada como a luta contra o terrorismo, foi outro. Os Estados Unidos nunca haviam sido atacados em seu próprio território, criando a imagem de invencível. Porém, o ataque em seu território derrubou essa imagem, já que citando o filme Homem de Ferro 2 “quando você faz um Deus sangrar, ele deixa de ser Deus”. A raiva do povo americano contra o líder da Al Qaeda foi originada pela destruição dessa imagem de invencível, pelo sangramento simbólico do gigante norte-americano. Porém, o mal foi feito, e todos se lembrarão do ataque às torres gêmeas.”

E o Bin Laden morreu. Os personagens e a História.

Bem, parece que a novela que se arrasta desde 2001 chegou ao fim. O sujeito mais procurado do planeta, Osama Bin Laden, parece ter sido  eliminado por um comando de soldados norte-americanos, numa operação que deve ter custado tanto quanto uma guerra e envolvido bastante gente.  Os jornais de vários tipos mostraram a festa que muitos norte-americanos fizeram para comemorar, inclusive na frente da Casa Branca. O presidente Obama, aparentemente tão sensato, afirmou que o mundo ficou mais seguro depois da morte de Bin Laden.

Se este episódio ainda está cercado de muitas dúvidas (além de não mostrarem qualquer evidência material, até jogaram o cadáver no mar, pedindo que aceitássemos a palavra do governo norte-americano sobre a veracidade do ocorrido), abre espaço para uma reflexão importante sobre o papel dos personagens na História. Ele foi transformado em um personagem importante da História quando os meios de comunicação de massa lhe atribuíram a responsabilidade pelo ato bárbaro do ataque à torres gêmeas em setembro de 2001. 

Mas, até que ponto um único indivíduo é capaz de promover sozinho atos que sejam capazes de exercer grande influência no curso dos acontecimentos mundiais?  Os personagens (ou as personagens?) têm mesmo tanta influência e importância? É o indivíduo ou o coletivo o protagonista da História?  A superexploração da  figura de Bin Laden pelos meios de comunição confirma ou contraria tudo que aprendemos sobre a História durante tanto tempo? Deixo para quem esteja lendo estas linhas opinar sobre assunto tão complexo.

Um olhar dos viajantes sobre o Brasil dos séculos XIX e XX

 

Está acontecendo em São Paulo três exposições muito interessantes sobre o Brasil dos séculos XIX e XX. Vale a pena ir e observar os olhares de viajantes sobre o nosso país.

Viajantes naquele bom sentido da História, ou seja, de estrangeiros que vieram para cá e relataram, sob seu ponto de vista (e, portanto, do ponto de vista de sua Cultura), vários aspectos da vida brasileira em telas e aquarelas, além de outras formas de documentação. E isso é que faz a mostra valiosa, pois nos permite estudar a História através de documentos e iconografias da época e rever conceitos como, por exemplo, o eurocentrismo, a visão romântica que se tinha (e se tem?) do Brasil.

São exposições gratuítas e todas em São Paulo. Vale a pena conferir as três.

Onde estão acontecendo?

1. “1908 – Um Brasil em Exposição”, o evento criado em 1908 no Rio de Janeiro, que comemorava o centenário da abertura dos portos às nações amigas – documentos e fotografias como as dos diversos pavilhões que foram construídos especialmente para a ocasião.
Caixa Cultural – Sé – pça. da Sé, 111, Sé, centro, São Paulo, SP. Tel. 0/xx/11/3321-4400. Ter. a dom.: 9h às 21h. Até 29/5. Livre.

2. “Viagem ao Sul do Brasil”,a viagem do francês Jean-Baptiste Debret, em 1827, por meio de 60 obras, entre aquarelas e desenhos.
Caixa Cultural – Paulista – av. Paulista, 2.083, Bela Vista, centro, São Paulo, SP. Tel. 0/xx/11/3321-4400. Qua. a sáb.: 9h às 21h. Abertura 4/5. Até 19/6. Livre.

3. Mostra individual do artista oficial da missão diplomática britânica entre 1825 e 1826, Charles Landseer, com desenhos e aquarelas do recém-independente Império do Brasil.
Instituto Moreira Salles – r. Piauí, 844, Higienópolis, centro, São Paulo, SP. Tel. 0/xx/11/3825-2560. Ter. a sex.: 13h às 19h. Sáb.: 13h às 18h. Abertura 11/5. Até 10/7. Livre. Estac. grátis.